29 de out. de 2009

Sério. Queria que fosse meu este texto.

PENSAR É TRANSGREDIR







Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.


Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"


O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.


Sem ter programado, a gente pára pra pensar.


Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.


Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.


Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.


Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.


Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.


Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.


Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.


Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.


Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.


E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.



Lya Luft

25 de out. de 2009





O silêncio consente ou reprova


O silêncio defende ou acusa


O silêncio agrada ou incomoda


O silêncio conforta ou machuca


O silêncio une ou separa


O silêncio alegra ou entristece


O silêncio constrói ou destrói


O silêncio restaura ou aniquila


O silêncio vivifica ou mata


O silêncio enaltece ou desonra


O silêncio exalta ou humilha


O silêncio liberta ou oprime


O silêncio alivia ou sobrecarrega


O silêncio cativa ou espanta


O silêncio motiva ou desencoraja


O silêncio confirma ou nega


O silêncio fala!

13 de out. de 2009



Palavras

Palavras...

"E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe..."

Sutilmente - Skank
É...

Já não escrevo todo dia. Hoje, pensei em escrever um pouco.

Meditei na vida, nas pessoas, nos amigos e naqueles não-amigos.

A gente nunca vai entender bem sobre o que é ser verdadeiro ou não.

Se a gente está certo ou não.

Mas o que a gente pode compreender é que muito do que passamos serve como amadurecimento.

Aqueles que ainda estão muito "verdinhos" na vida - e, alguns momentos (quase todos), eu me incluo nessa categoria - aprendem com os tropeços e as topadas que vão aparecendo pelo caminho.

Ai, lembramos da importância dessas pessoas em nossas vidas - inclusive os não-amigos.

Aqueles que me conhecem, de longa data, sabem que sou uma pessoa boa.

Sempre fiz poucos e especiais amigos pelo caminho.

Mas, a verdade verdadeira, é que acabei descobrindo que não sou bem o que eu pensava ou o que pensavam. Ou talvez, eu tenha mudado um pouco (ou muito).

Lidar com pessoas é uma arte.

Hoje eu não sei se a domino de tantas formas. Mas tento da melhor maneira possível.

E até a existência dos não-amigos faz parte desse aprendizado, porque a gente aprende nossas limitações como pessoa.

Quem sabe não dê pra conviver como gostaríamos, mas dá para cada um ir seguindo a sua vida sem prejudicar o outro, tentando levar as diferenças da melhor forma possível.
Minhas palavras estão guardadas. Enquanto o mundo vai girando, elas vão se combinando com os sorrisos e mistérios. Envoltas com os detalhes da memória, num novelo de sentimentos e sensações.


É possível perceber que nada é igual.

Ninguém permanece, com o passar do tempo, sendo o que era antes.

Se em alguns momentos os instantes retornassem, quem sabe poderíamos escrever os segundos mais perfeitos para colar na memória, na eternidade.


Acredito no destino avalassador, que cruza vidas e caminhos. Em nós que atam e desatam. Em momentos mágicos e inacreditáveis. Possibilidades que nos aplacam e não temos como voltar.
Uma das coisas mais interessantes de se fazer o que se gosta é que você se transforma.

Às vezes, o universo da gente fica limitado. Certas atitudes deveriam ser tomadas mas nem sempre se consegue fazer: por achar que não há possibilidade, por achar que seria muito difícil, por duvidar da sua capacidade.


Até que você descobre, quando esse dia chega, que os minutos são preciosos. E a vida tem mais sentido do que quando tínhamos todo o tempo do mundo à nossa disposição.


Hoje eu acordo para ser o que sempre amei.

Depois sigo o caminho que ainda quero trilhar, dando os pequenos passos para o futuro que a cada dia se torna mais próximo.

Assim, vou vivendo cada dia e aprendendo.

Aprendo com aqueles que têm mais experiência que eu.

Aprendo com quem acredita que não possui nada para me ensinar e acabo ensinando também...
Viver nos Cobra Despedidas...


Sabe quando você escuta uma frase que fica martelando na sua mente?! "Viver nos cobra despedidas..."

E cobra mesmo.
Quando parei pra pensar nisso, imaginei a minha vida. Sim! A minha, a vida daqueles que nem conheço tão bem. Quando nascemos, nos despedimos do imaginário para realmente sermos alguém na vida de outro alguém. A partir de então, todos os momentos, somos cobrados a nos despedir de tudo e de todos.

Ao comemorar uma vitória, estamos nos despedindo do possível fracasso. Nos despedimos do sonho para adentrarmos na realidade de viver o que foi sonhado.

Dar boas-vindas ao Futuro é nos despedir do Presente, e vê-lo se transformar em passado.

Cada palavra que sai do meu pensamento se despede de mim para cair no coração de quem me lê. Cada saudade que sinto é uma despedida que se apresenta ao meu pensamento - lembranças de momentos bons.

Abraçar a Vida, requer sabedoria para entender quando precisamos RECEPCIONAR O NOVO e nos DESPEDIR DO QUE PASSOU.

É A VIDA QUE SEGUE!!! =]
Inesperado...

Meu compromisso sempre foi com o coração. Corpo, alma, sorrisos, lágrimas e letras. Nessa empreitada, muito já dei e pedi. Algumas vezes, me perdi. Correndo, correndo - em telefonemas durante a madrugada, no meio de músicas, uniões inesperadas, entre livros e corações. Sim... já me senti perdida. Às vezes, ainda me sinto - é verdade! - mas os caminhos me levaram para emoções diversas e marcantes. Aquelas palavras que ecoavam por todos os cantos em busca de sinceridade e sentimentos, encontraram um lugar para repousar e ficar... sem falsas promessas, respeitando o meu jeito de ser e deixar livre o que me da prazer. Uma nova etapa para viver...