“Pra você ver, como um ano passa rápido.
A queda foi feia, realmente. Na hora que eu cai, juro que pensei que
tivesse quebrado no mínimo umas quinze partes do meu corpo. O coração
doía mais que tudo, quem olhasse pra mim descobriria que eu estava
totalmente estraçalhada por dentro. Porra, eu chorei tanto, achei que
não fosse capaz de sair de casa por um mês… No entanto, não foi bem
assim. Que a dor foi grande, ela foi. Que eu preferia nunca ter passado
por aquilo, é verdade, mas tudo aconteceu né? Era uma coisa simples e
fácil de entender, não era algo que eu pudesse escolher. Ou eu te
esquecia, ou eu te esquecia. Não tinha pra onde correr, aquilo, a tua
presença, as tuas promessas que nunca se cumpriram, a minha fé cega de
que um dia você tomaria vergonha na cara e viraria o tipo de cara certo
pra mim, estava acabando comigo, literalmente. A culpa não foi só sua,
pra falar a verdade, acho que ninguém teve muita culpa nisso. Eu achei
demais, você falou demais, pra no fim nem um nem outro ter razão. Foram
tantas conversas, juro que pareceu que nós nos conhecíamos há anos pra
mim. Como se eu tivesse gostado de você a vida toda, como se cada dia
durasse um mês e que cada mês durasse um ano. Seria muita hipocrisia da
minha parte dizer que te conhecer foi a pior coisa que me aconteceu,
afinal, quem me ensinaria tanto? Mesmo sendo esse babaca que tu é, e
pelo visto sempre vai ser, obrigada; por todas as vezes que você me fez
chorar. Obrigada por todas as vezes que você disse que gostava e se
importava comigo sem dar a mínima, de verdade mesmo. Eu acho que se
tivesse sido diferente eu nunca saberia como as pessoas realmente são já
que a ingenuidade sempre me derrubou, mas contigo o tombo foi tão feio e
doloroso que eu aprendi a manter os pés firmes no chão. Como eu mesma
te disse uma vez, “Ás vezes a gente muda e nem percebe”. Eu mudei, mudei
pra caralho e não pretendo voltar a ser o que era antes. Eu deixei de
ser aquela menina boba e apaixonada. Cansei de tentar levantar todo
mundo, tem gente que tem q ficar no chão pra poder criar coragem de
levantar. E eu devo tudo isso a você que eu tanto quis bem, eu devo isso
a você que tanto me fez mal, eu devo toda a minha força a você que
partiu meu coração em mil pedaços e praticamente disse: “Vai boba, agora
se vira e arruma essa bagunça que eu fiz”. E eu consegui, felizmente eu
consegui deixar quase tudo no lugar, quase tudo, pois eu já não me
recordava de como era antes, e nem fazia questão. O importante é que
tudo se ajeitou, e agora ta mais do que na hora de dizer que: “Um ano
passou rápido, mas ainda sim eu não me esqueci de te parabenizar pelas
mágoas e pedir desculpas por ter te tirado da minha vida, mas pra falar a
verdade… É ai mesmo que você deve ficar, longe de mim, e do meu coração
que finalmente esqueceu teu nome, teu rosto, tua voz, e qualquer outra
sinal teu”.”