13 de dez. de 2010

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Cada vez mais frias, e os dias estão cada vez mais duros, e eu tento, tento tanto disfarçar essa dor no meu peito e esse nó na garganta, mais chegou o ponto em que eu já não sou mais forte o suficiente, já estou consumida pelo desejo quase incontrolável de desaparecer, pra sempre.

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...e me dá uma saudade irracional de você. Uma vontade de chegar perto, de só chegar perto, te olhar sem dizer nada, talvez recitar livros, quem sabe só olhar estrelas… dizer que te considero – pode ser por mais um mês, por mais um ano, ou quem sabe por uma vida – e que hoje, só por hoje ou a partir de hoje (de ontem, de sempre e de nunca), é sincero.
Hoje acordei e dei de cara com meus anseios, parte de mim já não estava lá, talvez se perdera na noite passada, tão sutil que só agora vim perceber. O que havia de estranho nesse novo sentimento, nessa nova vontade? Nem ao certo saberia responder, que acomodação externa é essa que se depara com a inquietação interna que se mostra dentro e fora de mim? Hoje acordei mais intensa, porém mais calma. Estranho como pela primeira vez me cabia um um belo vestido de festa de sentimentos? Estranho, eles não dão mais em mim. O que mudou afinal? Hoje acordei, não quis tirar a camisola e ficar apática de novo.
Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.

Não mais

Mas não vou ceder. Foi a última paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taquicardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder. Certo, certo: ninguém tem obrigação de satisfazer ao teu desejo, pela simples razão de que você supõe que teu desejo seja absoluto. Foda-se seu desejo, ora. Me dói não ter podido mostrar minha face. Me dói ter passado tanto tempo atento a ele — quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. Rita Lee canta “são coisas da vida…”

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...

Assim como misturar bebidas, misturar pessoas, pode causar ressaca!

24 de nov. de 2010

Minha parte, sua parte...

Minha parte, tua parte

Parte de mim, pedaços teus,
aos bocados mordes, deliciosamente,
sorves cada gota, esgota-me;

Parte de ti, pedaços meus,
em rompantes te invado,
acintosamente defloro-te, desmascaro;

Partes de nós, cada parte,
se partes, és minha má sorte,
se parto, teu coração ao meio;

Então parte de mim, é tua,
e a outra parte nada mais é,
do que a tua outra parte.