4 de jan. de 2011


"Quando pequena eu rodava, rodava e rodava em
torno de mim mesma até cair. Cair não era bom mas a tonteira
era deliciosa.
Ficar tonta era meu vício. Adulta eu rodo mas quando fico tonta
aproveito de seus poucos instantes para voar".
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos.”
A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.  Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.” 
Caio Fernando Abreu 
(via sorrisoaberto)

2 de jan. de 2011

Trago rosas e seus espinhos para que contemple e tenha cuidado ao tocar, deixo as pedras no caminho, são marcas de cada lugar. Vejo um solitário sol aquecendo e contemplado por milhares que estão sozinhos, nesse caminho existem flores e espinhos, os dois lados da moeda, nós dois, nós três, milhares. Preciso encontrar o "eu sozinho" nessa viagem e conhecer a quem não me conhece. Trago novas novidades, tão velhas para mim. É a puberdade da maior idade da mulher entre o seu caminho, talvez já fizeste "quarenta" e só agora percebeu que existe algo entre o antes e o agora eu. Vou seguir por essa estrada, vejo novas cores, flores, rostos, caminhos e quem vai estar aonde chegar. No lugar onde existe rima, é a vida. Deixo para trás amores, amizades, lugares, flores e espinhos, saudades, lembranças e vontades. Aos corações que não deram certo, e aos que insistem em querer. Me tenhas só por um momento mas deixe-me seguir, nada a mais aqui me prende, não me entende. Ser como sol, ser como um dia, ser bom ou ruim. Será que existe então um grande sentimento que não seja tão egoísta assim, te querer como me queres só pra ti. Nesse momento é preciso seguir como o "eu sozinho" nessa estrada, por esse caminho. Para depois ser um eu de nós, talvez dois. Porque falar de relações se existe tempo certo para cada momento, então porque se preocupar em me prender entre o eu e você, não me culpe, não se culpe. Por um tempo preciso seguir assim e quem sabe talvez encontre uma razão para ficar, em algum lugar pelo caminho dessa estrada. Pessoas vão e vem, quero desfrutar o eu sozinho e no momento não ser de ninguém... Me desculpe mas preciso caminhar por esse caminho só, para depois ser dois, sempre existirá alguém percorrendo o mesmo caminho, em contrária direção e nessa estrada quem vai se encontrar e quem irá fazer o outro mudar de caminho e mudar assim a direção do "eu sozinho"? Não me responda...deixa apenas acontecer.
Toda estrada na vida é um caminho, cheio de acontecimentos, fatos e momentos, as vezes nos prendemos a algo, lugares, pessoas, mas tudo tem seu tempo de permanecer no mesmo lugar. Deixar de fato não é simplesmente mudar, esquecer, reformar, é uma inquietação que nos faz levar a busca desse caminho, possa ser que nessa estrada, exista alguém, algo ou simplesmente um lugar. Andar sozinho não é estar só e sim momentos de reflexões e mudanças de algo que se espera adiante. Não estar preso ao que passou seja o que for, sempre iremos mudar. Todo dia nasce o mesmo sol, mas nunca é o mesmo dia. A verdadeira felicidade se depara no decorrer da estrada da vida as vezes despercebida pela cegueira voltada ao objetivo da chegada em algum lugar. Quero contemplar o caminho e as paisagens que me forem dadas, aos lugares, as pessoas, cada coisa, cada um em cada momento, com seus significados e importância e quero também aprender a contemplar e lapidar o eu sozinho e quem sabe então ser paisagem da estrada a ser observada por um outro alguém, talvez contemple, talvez nem perceba ou talvez seja o ponto de parada de alguma estrada...ser feliz é acordar cada dia e saber que nos temos como companhia e quem sabe assim talvez um dia alguém nos tenha e nos faça deixar de percorrer essa estrada, visto que por fim foi chegado ao lugar, talvez passageiro como algumas estadias, talvez definitivo como uma morada...Mas pra isso é preciso seguir sozinha
(...) talvez um se matasse, o outro negativas. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."

Caio F. Abreu


"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativas. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."


"Por isso meu ódio cresce. Quando atingir um nível insuportável,não será difícil:basta uma lâmina contra o pulso, nem isso.Uma simples picada de alfinete.Menos até.Talvez aquele menino volte,talvez eu esteja mesmo sozinho, talvez você ache que eu esteja louco.Queria que você entendesse que apenas contei o que realmente aconteceu,e se isso é loucura,quem enlouqueceu foi o real,não eu, ainda que você não acredite.Não tem importância.A história é essa,talvez eu tenha falado mais que eu devia,Mas tenho uma certeza dura de que nem você nem os outros perdem por esperar.Cuidado:eles estão aqui:à nossa volta:entre nós:ao seu lado:dentro de você."

... Eu parado na porta às quatro da manhã. Você indo embora. Eu me perdendo então desamparado entre cinzeiros cheios e garrafas vazias. Você indo embora. Eu indeciso entre beber um pouco mais ou procurar uma beata em plena devastação ou lavar copos bater sofás guardar discos mastigar algum verso adoçando o inevitável amargo despertar para depois deitar partir morrer sonhar quem sabe. Você indo embora. Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura. Tocaria o telefone? Você indo embora, fotograma repetido. Na montagem, intercalar. Você indo embora você indo embora. ...