14 de abr. de 2015

Mentira?

Uma permanência pautada de mentiras. História cega e fantasiosa de dois amantes que ardentemente se desejavam, mas teriam um fim. A luz que não existe, o livro que porta as folhas em branco e que não contarão a nossa fábula. O tempo que eu dediquei, todo a você, prazerosamente, sem pesar. A tua terra fértil, na qual jamais cheguei a pisar. O teu orgulho amedrontado e as tuas frases decoradas, esperando o momento oportuno para serem ditas e que nunca foram. As promessas irônicas balbuciadas com o teu tom arrogante. A corda que você colocou no meu pescoço e apertou, aos poucos, assistindo a minha agonia. A tentativa falha de derramar as lágrimas atravancadas na garganta e que insistem em não cair. A tua manha enganosa e embromada, ensaiada na frente do espelho. Por quantas vezes você mentiu? Venho tentando fugir da efetividade dos fatos, mas tudo ao meu redor desengana. Tudo é falso demais, miragem ou ilusão de óptica. A voz não sai, se perdeu nos teus braços longos e no teu colo acolhedor. Falsário. O meu silêncio você consegue ouvir? Não fala nada, qualquer palavra tua é desatino, corrói e eu me entrego. Apenas ouça do que o vácuo se alimenta, a ausência. Do som, do afeto, dos planos incoerentes e de tudo aquilo que tomou, para si, um fim.

13 de abr. de 2015

“Aprendi que nem tudo são flores, nem todos os dias têm sol. Mas não há tristeza que não passe, nem felicidade que dure para sempre. Os dias nublados vão vir, as flores vão murchar, mas depois a primavera certamente vai chegar! Um dia eu descobri que a vida vale a pena ser vivida e aproveitada ao máximo, independente das circunstâncias. Sempre haverá um novo dia, uma nova chance, um novo amor, uma nova oportunidade… Mas a vida, essa é única.”
“Sempre acreditei que as palavras são muito poderosas. E inventei uma lei: quem fala esquece, quem ouve não esquece. Na hora da raiva a gente fala pelos cotovelos o que dá na telha. Depois que a poeira baixa é que vamos perceber que fizemos muito barulho por nada"

23 de jun. de 2013

:(

Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.
Mas não escreva poesia.
—  Charles Bukowski

16 de mai. de 2013

Éramos

Desses amores doídos, contidos, rasgados, que dominam, corroem, devoram, o acidente, a colisão.  
Éramos desses amores doces, bonitos, sorrisos, que transbordam, afagam, aliviam.  
Éramos desses amores de excessos, de pratos jogados e gritos incontidos. 
Éramos desses amores quietos, de olhares e gestos.
 Éramos desses amores que de tanta demasia, tornam-se eternos.
 Somos.

11 de mai. de 2013

22 de abr. de 2013

Quem nunca?

Tarde encantada. Beijo no queixo, curioso olho no olho, mão tremor na mão, nosso amor pulsando louco em um só coração. Abraço mágico, promessa de realidade, candura derivada, respiração torta, absorto, quase atropelo pela rua solto, olhares incrédulos, sorrisos bobos, o tempo contra nós e uma força a nos arrastar. Calor no frio, surpresa certa, medida única, encaixe de alma, e se quiseres duvidar do meu amor, põe em cheque até a verdade dos incautos, mas por favor lhe peço: confia em minha alma, pois até quando a pele encher de rugas e o último “cantito” entoar melindrado, pertencerei a você e ecoarei por vida o que levarei no hiato da morte, você dentro de mim por toda sorte, pois és para mim canção eterna desde quando viestes até o crepúsculo final e o amor há de compor o que agora e para sempre serão sempre dois.