15 de abr. de 2015

Caio F. Abreu

Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda! Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou.
— Caio Fernando Abreu.

***

A gente dá as costas para as emoções fortes em nome do êxtase, porque consideramos que o êxtase é o melhor. Não sabemos sentir o que é realmente importante e bom. Essa vontade estúpida de sair por aí querendo não perder nada acabou me fazendo perder tudo. Perder você, perder manhãs que eu podia ter acordado do teu lado, perder a ideia de passear contigo num parque, só soltando sua mão pra achar um trocado que pague uma coca-cola gelada. Sete anos é tarde demais pra chorar de saudade?
— Gabito Nunes

14 de abr. de 2015

Todo hay que volver a intentarlo… el amor no tiene por que se una excepción.
— Julio cortázar

Mentira?

Uma permanência pautada de mentiras. História cega e fantasiosa de dois amantes que ardentemente se desejavam, mas teriam um fim. A luz que não existe, o livro que porta as folhas em branco e que não contarão a nossa fábula. O tempo que eu dediquei, todo a você, prazerosamente, sem pesar. A tua terra fértil, na qual jamais cheguei a pisar. O teu orgulho amedrontado e as tuas frases decoradas, esperando o momento oportuno para serem ditas e que nunca foram. As promessas irônicas balbuciadas com o teu tom arrogante. A corda que você colocou no meu pescoço e apertou, aos poucos, assistindo a minha agonia. A tentativa falha de derramar as lágrimas atravancadas na garganta e que insistem em não cair. A tua manha enganosa e embromada, ensaiada na frente do espelho. Por quantas vezes você mentiu? Venho tentando fugir da efetividade dos fatos, mas tudo ao meu redor desengana. Tudo é falso demais, miragem ou ilusão de óptica. A voz não sai, se perdeu nos teus braços longos e no teu colo acolhedor. Falsário. O meu silêncio você consegue ouvir? Não fala nada, qualquer palavra tua é desatino, corrói e eu me entrego. Apenas ouça do que o vácuo se alimenta, a ausência. Do som, do afeto, dos planos incoerentes e de tudo aquilo que tomou, para si, um fim.

13 de abr. de 2015

“Aprendi que nem tudo são flores, nem todos os dias têm sol. Mas não há tristeza que não passe, nem felicidade que dure para sempre. Os dias nublados vão vir, as flores vão murchar, mas depois a primavera certamente vai chegar! Um dia eu descobri que a vida vale a pena ser vivida e aproveitada ao máximo, independente das circunstâncias. Sempre haverá um novo dia, uma nova chance, um novo amor, uma nova oportunidade… Mas a vida, essa é única.”
“Sempre acreditei que as palavras são muito poderosas. E inventei uma lei: quem fala esquece, quem ouve não esquece. Na hora da raiva a gente fala pelos cotovelos o que dá na telha. Depois que a poeira baixa é que vamos perceber que fizemos muito barulho por nada"

23 de jun. de 2013

:(

Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.
Mas não escreva poesia.
—  Charles Bukowski