30 de set. de 2009

Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou
- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia...
Então perguntei ao meu pai:
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu meu pai, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz!
Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotência, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir o meu pai dizendo:
...Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!

(Autor Desconhecido)

28 de jun. de 2009

porque a amizade é um improviso.

Não querendo imitar o dono da canção, mas a sonoridade dela
encanta meu coração.
A sonoridade dela, a minha Luísa*.
Eu tenho medo da reprovação, do olhar que ela perde lá longe,
quando eu digo que errei.
A reprovação não chega, se atrasa, se perde com o olhar.
Ela aconselha, e me acalma. Já disse?
Acalma com a voz, minimiza os problemas cheios de uma vida inteira.
Erra e espera pelo olhar da reprovação...Um olhar
sempre tão atrasado e perdido, mas ele não permanece.
Somente os olhares doces eu carrego comigo.
Ela me ensinou que tenho que ser indiferente, nonchalant.Eu que ainda não aprendi.
É preciso tempo.É preciso musicalizar pro tempo passar.
Ela é uma música que eu vou lembrar pra sempre.Não, não é aquela do poeta.
Eu vou lembrar daquela que eu fiz pra ela agora, no improviso.
Usando palavras que não existem, ou aquelas que eu nunca usei com ela.
O som que nunca foi tirado de violão nenhum, tá aqui dentro do meu coração.
Eu nunca vou cantar,mas ela vai ouvir quando lembrar de mim.

Existe título para as coisas que não existem?

Eu queria saber fazer poesia só pra falar dos olhos dele.
Eu queria ter intimidade suficiente com as palavras mais belas
só pra descrever aquele sorriso.
Aquele dado numa tarde vazia de idéias e cheia de gente.
Que mudou o meu humor.
Eu queria saber expressar claramente tudo o que sinto
quando a mais leve brisa sai da tua boca e toca o meu rosto,
ecoando nos meus ouvidos um simples oi.
Os arrepios de inverno que eu sinto em pleno verão carioca
quando a lembrança do teu abraço me domina o pensamento.
O seu cheiro sem perfume de manhã.E algumas vezes
com um perfume que era tão parte da tua pele, que eu
nem notava diferenças.Me preocupava mesmo era com
sentir o abraço... que me apertava, e me machucava.
Deixando o meu andar abalado, meus sentidos confusos.
(...)
Eu queria saber organizar isso tudo numa poesia bonita.

Ah,Falei!

Como assim?
Odeio quando coisas óbvias são verdades!
Não!Isso não se faz.É muita maldade.
O dia já não tá bom e eu ainda tenho que morrer
duas vezes no mesmo dia?
A pergunta mais adequada nesse momento é: Why?
Eu não morro em salas de aula lendo bilhetinhos
jogados como bombas em cima do meu caderno.
Eu morro vide título do blog e tenho dito.
Odeio encaixar coisas óbvias que são verdades, e agora
fazem todo sentido.
Não!

Continuando com as coisas que eu odeio.

Eu odeio quando colam o dedo na campainha da minha residência.
Ainda mais quando é sem avisar. Às vezes eu tô no banheiro e tenho que sair
pra abrir a porta. Às vezes eu tô comendo.
Odeio quando tocam errado e vão embora sem nem se desculpar.
Odeio o barulho que faz o interfone, odeio ter que levantar pra ouvir que
'é da farmácia', 'é a titia' ou 'mandaram entregar'.
E uma coisa que eu não entendo, por que toca a campainha se já
foi anunciado pelo porteiro sagaz?
É pra me deixar surda ou só pra mostrar que já chegou na porta?
Eu sei o tempo que demora da portaria até o meu andar, uma hora eu vou abrir
pra você(visitante) entrar. Espera.Que saco.
Odeio 'fazer sala' pra visitas alheias, não sei fazer nem para as minhas.
Perguntam dos estudos, da vida...
Ninguém me pergunta sobre aquela série legal que tá passando,
Falam do Juvenal. Eu lá sei de Juvenal! Querem café, biscoitinho, água...
Odeio as visitas alheias que colam o dedo na campainha.
Falam que estão triste porque o Fábio Assunção foi encontrado
com drogas..poxa..E eu com isso?

Datas comemorativas e a memória do brasileiro.

Eu não sou chata, só acho que todo mundo deveria saber who the fuck was Tiradentes.
Aquele cara que foi morto a la Jack*. Nem por inteligência, por repetição mesmo.
E todos os anos é a mesma coisa, a equipe jornalista-investigativa-cultural sai às ruas perguntando, e: "Aiii, agora voce me pegou!"
"Hum, tem a ver com os dentistas, neam?"
Têm também aqueles que arriscam tudo por 15 segundos de fama,
afinal tudo pode acabar no BBB:
"Ah, num foi o mártir (hum, tô ouvindo) da independência do
Brasil (hum, tô vomitando)?!"
NAONDE que ele lutou pela independência do Brasil?!
No máximo ele abalou as Minas Gerais, e só morreu porque
não tinha contatos ducaralho ( leia-se: dinheiro!)
Tudo bem que eu nem me lembrei que era feriado, e também acho que
nem deveria ser, mas daí a não saber quem ele foi...UMAPOOTASACANAGI
Se perguntado sobre Carla Perez** o povo fosse, a história seria outra.
Hoje eu me poupei da pergunta "Quem descobriu o Brasil?". Sem saco.
Ai, tem é que curtir o feriado independente de qualquer coisa.Que se dane.

*lendário estripador de prostitutas e dentistas sem registros.
** lendária dançarina do grupo de axé-music É o tchan (selva, Japão, Egito...)
que provavelmente teria sido estripada pelo * (se contemporânea de *, ** fosse).

Só isso.

Por mais que a minha bondade seja tanta, não vai dar.
Eu não vou conseguir uma postura forte suficiente.
Eu quebro fácil.
Prefiro ficar na estante ou dentro de uma bolha.
Uma barreira igual aquelas dos filmes legais...
Não quero jornais, revistas.
Nenhuma notícia do mundo que passa diante dos meus olhos,
nem daquele que some com um click de botão.
Eu não quero sons, quero ruídos. Não quero entender, quero
somente chorar. Só por hoje.