“Guarda, para mim, o teu melhor sorriso. E a tua
mais alta risada. Guarda o cheiro do teu corpo quando você acaba de sair
do banho, e daqueles outros tantos perfumes que você usa. Guarda, para
mim, o som mais inesquecível, que é o da tua voz. Guarda até aquelas
suas manias bobas, que me fazem sorrir. Guarda cada detalhe teu, cada
milimetro, cada minúcia tua… Eu faço questão, mesmo que isso pareça
bobo. Guarda o teu abraço quente para a noite mais fria e, também, teu
abraço apertado para o nosso reencontro. Guarda os teus olhos que me
enxergam muito melhor do que eu sou. E que, quando me olham, me fazem
querer ser olhada cada vez mais. Guarda, para mim, o teu jeito de
menino. E as tuas piadas sem graça que eu finjo achar graça só para te
ver rindo daquele teu jeito bonito. Guarda as tuas manias, e esse teu
costume de dormir escutando a minha voz. Guarda os teus medos, teus
tropeços e erros. E, se algo der errado, guarda a tua confiança em saber
que eu tornarei tudo melhor. Guarda, amor. Guarda o que for teu. Mas,
deixa que eu guardo o teu coração. Deixo ele bem aqui, coladinho ao meu.”
17 de set. de 2012
4 de set. de 2012
Leia...
“Não faltou amor, disso eu tenho absoluta certeza…
Mas então qual foi o nosso problema? Talvez tenha sido excesso de
alegria, carinho, sei lá. Suponho, talvez, que tenha sido muito amor. A
sua parte se doou aos poucos… Eu não me contive, me doei inteira ao
nosso amor. Não me arrependo, jamais pense isso, por favor. Só acho que
coloquei muita fé naquilo que nem era tão importante pra você. Pra mim,
era o chão, o céu, e mais que isso. Você era o responsável pelo meu
sorriso, pela minha alegria. Eu ouvia a sua voz, o meu mundo coloria e
logo tudo voltava ao normal. Passava aquela ausência de pessoas que
poderiam mudar tudo. O tempo passou, mudou tanta coisa em nós. Aquele
tão esperado amor apareceu e durou pouco, e pra ser bem sincera,
preferia que nem tivesse acontecido. Você veio, mas se foi muito rápido.
Juro que houve um tempo em que eu te desejava, e as circunstâncias que
me separavam de ti, também me faziam permanecer paciente. Eu sonhava com
o nosso reencontro, vivia ouvindo as nossas músicas, lendo as nossos
históricos. Apenas existia nós na minha cabeça. Obsessão insegura me
unia a você, mesmo de tão longe. E se hoje houvesse uma comparação pro
meu amor daquela época, eu diria gelo. Isso mesmo, não se assuste. Gelo
por ser sólido e frio. Só que aos poucos foi derretendo, sumindo aos
poucos. Se tornou líquido, essas são as minhas lágrimas. Ai evaporou.
Quebrou, morreu. Desculpe, mas não consegui fazer reviver esse amor sem a
sua ajuda. Meu esforço, em vão, não valeu de nada. Sabemos que foi
melhor assim. Ainda vou te ver novamente, trilhando o meu próprio
caminho e vivendo a minha vida. Você vai estar fazendo o mesmo. Quem
sabe se nos encontramos e passamos a construir o nosso futuro? Quem sabe
se renasce aquilo que um dia sentimos? Ninguém sabe. Eu torço pra que
fiquei bem… No fundo a gente se espera. Vagando por um mundo qualquer, a
gente se encontra…”
22 de ago. de 2012
15 de ago. de 2012
Não desligaaaaaaa!
“Vou até o Japão. Falo sério, não desliga o
telefone, não diz adeus agora, não estraga a minha súplica: não me corta
na hora errada. Eu me cortei, você sabe. Cortei lá dentro, mais do que
uma navalha poderia cortar. Cortei veia e artérias, esperanças e
histórias… Eu te cortei. Nós nos cortamos. Não, não chora… Por favor. Eu
não estou gastando dinheiro para chorarmos, mesmo que eu já tenha feito
isso de graça por mil dias desde aquele último. Nós nos cortamos porque
as pessoas são assim, erro de cálculo humano: elas se perdem e se
cortam diariamente. Cortes internos de uma tal maneira que o médico
semana passada disse que nunca me viu tão saudável. Ah, se ele soubesse…
Você não pensa no curativo? Eu penso, todos os dias. Eu tentei alguns,
vou confessar e, por favor, não quebre a caneta que você agora deve
estar usando para riscar fervorosamente a folha na sua frente enquanto
desconta a raiva da vida - de nós. Eu tentei com pessoas na minha cama,
com bebidas e cigarros entre os dedos, com um quase namoro fracassado,
com uma vida profissional bonita, com sonhos novos, com dias de
mendigagem: eu tentei. O curativo nunca esteve em nada disso. Que coisa
idiota eu ligar para falar de curativos, você tem razão de querer
desligar. Mas não, ainda não desliga. O curativo sempre foi você. A
caixinha de remédios da minha vida, e me perdoa o anti-romantismo, eu
não sei acertar palavras de amor que não firam. Só que agora eu quero
curar também. Deixar que você se cure dos meus maus, da minhas aventuras
pela vida quando nós deveríamos ter largado nossas mãos lado a lado, e
não nos largado. Deixa eu ser o antídoto para qualquer outro amor que vá
te fazer perder tempo, porque você sabe, eu sei, o seu cachorro sabe, o
meu peixei sabe: a gente não se desliga. Não é esse fio telefônico, a
conta no fim do mês ou uma tecnologia qualquer, somos nós, simples como
uma vida, desgraçados como o amor. Nós, estragando tudo para o
arrependimento querer curar. Se eu for o seu curativo, posso até me
curar por conta própria, mas eu quero te curar. Quero passar carinho
onde a vida deixou hematomas. E curará, acredite. Você ainda está na
linha? Ainda quer ouvir que andei achando nossas cartas? Quando foi que
paramos de nos escrever? Ah, claro… Quando as palavras deixaram de serem
ditas também em voz alta. Ficou muita coisa a ser escrita, feita e
falada. Ficou uma vida - a minha - para ser preenchida - com a tua. Até
falando eu tenho entrelinhas, não é? Você deve estar me odiando, como no
primeiro dia quando eu derrubei o sorvete na sua blusa preferida. Você
deve estar me odiando por não conseguir desligar, como no último dia
quando nos ouvimos chorar até faltar luz aqui e a ligação cair. Você me
tem na mão e eu não sei poetizar isso. Desculpa, amor, se eu me encho de
palavras e te esqueço respirando. Você, apenas respirando, já cura os
meus tempos ruins. Quer desligar? Eu sei que sim. O meu recado está
dado: se você fugir para o Japão, eu vou até lá. Vou até a esquina, até a
cidade vizinha, até o Equador, até o Japão! Eu vou indo, porque o meu
mapa quem traça é você. A minha vida quem regula são as suas mãos. Você
não entende… Agora pode desligar, se quiser. Quando me ouço falar também
me pergunto onde está a minha lucidez, não é só você que me detesta. No
meu fundo, no meu espaço perdido e ilógico, tão meu, eu desisti de
entregar os espaços em branco e passar mais álcool no que a história
deixou ardendo. Eu desisti de procurar nas pessoas um olhar apaixonado
que somente o espelho pode me mostrar, porque sou eu, é o meu reflexo
dizendo que eu moro em ti. Eu não vou ter dinheiro para pagar essa
conta, gastei tudo comprando o telefone para te ligar. São tantas
desordens em mim, pode balançar a cabeça e me reprovar. Em outra vida eu
posso ter feito medicina e a gente nem sabe… Tanto faz, você desligará.
É que, olha, eu senti saudades de me declarar…”
11 de ago. de 2012
Você me pediu um cigarro
“Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é
fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a
coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou
não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como
suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto
minha boca para lhe impedir. Você foi covarde. Pela gentileza de sempre
dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua
covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não
fui escolhido. Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no
parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem
morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento
mais alegre. Sua ferida, seu feriado. Com o tempo, serei sua vontade de
se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o
café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura
reunir os chinelos ao vento. Você foi covarde, ninguém iria
compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se
compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito
fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano. Sua
esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que
sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando
mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de
sentido. Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo
amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer
que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha.
Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença,
agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia.
Engoliu uma palavra para dormir. Não serei vizinho de seu sobrenome.
Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não
desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras.
Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber.
Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez
em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a
dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O
dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma
das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela
covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais
dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o
que restou de você em mim.”
| — | Fabrício Carpinejar em Você me pediu um cigarro |
6 de ago. de 2012
18 de jul. de 2012
Para você, meu amor...
“Ajustei meu horário. Tudo esta conforme você fez
estar. As horas são mais felizes quando você chega e tristes enquanto te
espero. Os segundos mais rápidos são aqueles ao seu lado e os mais
lentos são os que faltam a sua voz. Cada minuto é seu, ao seu tempo e
caminhar, ao seu jeito e ao nosso par. Cada mudança brusca em que não
vejo o relógio passar, tem você me dizendo palavras de um futuro nosso.
Cada lágrima que faz o passar do tempo ser uma tortura, tem você longe
de mim por culpa nossa ou da vida. Passo o tempo para passar o tempo com
você, assim mesmo, com uma confusão gritante de palavras. É o meu
relógio, o meu jeito bobo e secreto de controlar a vida. As horas no teu
pulso desestabilizando o meu são muito mais bem aproveitadas.”
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