16 de mai. de 2013

Éramos

Desses amores doídos, contidos, rasgados, que dominam, corroem, devoram, o acidente, a colisão.  
Éramos desses amores doces, bonitos, sorrisos, que transbordam, afagam, aliviam.  
Éramos desses amores de excessos, de pratos jogados e gritos incontidos. 
Éramos desses amores quietos, de olhares e gestos.
 Éramos desses amores que de tanta demasia, tornam-se eternos.
 Somos.

11 de mai. de 2013

22 de abr. de 2013

Quem nunca?

Tarde encantada. Beijo no queixo, curioso olho no olho, mão tremor na mão, nosso amor pulsando louco em um só coração. Abraço mágico, promessa de realidade, candura derivada, respiração torta, absorto, quase atropelo pela rua solto, olhares incrédulos, sorrisos bobos, o tempo contra nós e uma força a nos arrastar. Calor no frio, surpresa certa, medida única, encaixe de alma, e se quiseres duvidar do meu amor, põe em cheque até a verdade dos incautos, mas por favor lhe peço: confia em minha alma, pois até quando a pele encher de rugas e o último “cantito” entoar melindrado, pertencerei a você e ecoarei por vida o que levarei no hiato da morte, você dentro de mim por toda sorte, pois és para mim canção eterna desde quando viestes até o crepúsculo final e o amor há de compor o que agora e para sempre serão sempre dois.

25 de mar. de 2013

:(

Minha mágoa foi porque eu tinha me preocupado tanto com você e você não teve a menor consideração. Mas deixa. Eu preciso aprender. Olha, tem muita coisa no mundo que eu não entendo, mas quer saber o que realmente não entra na minha cabeça? Como pode uma pessoa saber que te deixou triste e simplesmente não fazer nada quanto a isso? Se eu sei que deixei alguém chateado por uma atitude minha é evidente que vou procurar a pessoa, ligar, fazer alguma coisa. Jamais vou ficar quieta, na minha, sem saber o que a pessoa tá pensando ou sentindo. Se tá chorando ou com raiva. Além disso, tem o essencial: vou querer consertar. Ainda mais se a mancada foi minha. Agora me pergunto: como pode alguém cruzar os braços e deixar rolar? O que adianta dizer que eu gosto muito de você, que você é mega importante pra mim se eu te deixo triste e não faço nada pra mudar isso?
Clarissa Correa

6 de mar. de 2013

Tenho pressa de você!

E aqui dentro deste meu ninho de timidez
te grito, te quero, te chamo, te amo!
Mas não vê? não ouve? não quer? não sente?
E se joga no mundo, como confete atirado do décimo andar de um prédio, sem destino ou critério, mas sempre a cintilar, enfeitando toda a rua, encantando todos os olhos, moldando sorrisos, e no fim do vendaval estilhaçado no asfalto, ou no canto de uma rua principal, como se não houvesse nenhuma vertente.
Aqui de dentro, eu rezo, te peço, e permaneço nessa eterna prece.



11 de fev. de 2013

Ahhh, Zé!

Sabe Zé, no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa. Hoje tem risada alta, tem festinha, tem maquiagem e música. O senhor promete que não me julga, Zé? Eu sei que você se atrapalha, liga aqui pra cima e fica até mudo. São tantos nomes, não é? Mas é só fazer que nem eu: chama todo mundo de “o outro”. Todos são outros. Porque o de verdade, Zé, o de verdade não existe. A gente chora, escreve lá umas poesias profundas, chora, mas um dia a gente acorda e descobre que esse aí não existe não. Amanhã é um novo dia. Um novo outro qualquer. Eu queria te dizer que eu sinto muito, Zé. Mas eu não posso te dizer isso porque a verdade é que eu não sinto mais nada. Nadinha, Zé.
Tati Bernardi.