24 de nov. de 2010

Minha parte, sua parte...

Minha parte, tua parte

Parte de mim, pedaços teus,
aos bocados mordes, deliciosamente,
sorves cada gota, esgota-me;

Parte de ti, pedaços meus,
em rompantes te invado,
acintosamente defloro-te, desmascaro;

Partes de nós, cada parte,
se partes, és minha má sorte,
se parto, teu coração ao meio;

Então parte de mim, é tua,
e a outra parte nada mais é,
do que a tua outra parte.

11 de nov. de 2010

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Ah mar! Pela manhã, quando o sol nasce e eu ouço o som das tuas carícias nas pedras, eu me alegro mais que a praia onde tu deitas calmo e manso, no descanso da tua luta.

Ah mar! Quando a labuta é dura na busca do alimento meu, quando na tormenta quase quebras a canoa que sustenta o meu corpo, e quando entras louco de fúria e de paixão, é então que eu grito o teu nome mar, te desafio, bravio mar revolto, me leva se é isto que tu queres mar, mas não me deixes mar.

Ah mar, quando à noite a lua branca banha as tuas águas, já tranqüilas, me faz sereno a tua calma. Ou será que és tu quem banha a Lua?

Ah mar dos meus loucos sonhos, mar medonho, mar imenso, por vezes tenso, outras sereno.

Eu te tenho nos meus olhos. Nos meus olhos há tanto mar.