"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativas. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."
"Por isso meu ódio cresce. Quando atingir um nível insuportável,não será difícil:basta uma lâmina contra o pulso, nem isso.Uma simples picada de alfinete.Menos até.Talvez aquele menino volte,talvez eu esteja mesmo sozinho, talvez você ache que eu esteja louco.Queria que você entendesse que apenas contei o que realmente aconteceu,e se isso é loucura,quem enlouqueceu foi o real,não eu, ainda que você não acredite.Não tem importância.A história é essa,talvez eu tenha falado mais que eu devia,Mas tenho uma certeza dura de que nem você nem os outros perdem por esperar.Cuidado:eles estão aqui:à nossa volta:entre nós:ao seu lado:dentro de você."
... Eu parado na porta às quatro da manhã. Você indo embora. Eu me perdendo então desamparado entre cinzeiros cheios e garrafas vazias. Você indo embora. Eu indeciso entre beber um pouco mais ou procurar uma beata em plena devastação ou lavar copos bater sofás guardar discos mastigar algum verso adoçando o inevitável amargo despertar para depois deitar partir morrer sonhar quem sabe. Você indo embora. Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura. Tocaria o telefone? Você indo embora, fotograma repetido. Na montagem, intercalar. Você indo embora você indo embora. ...
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