“Eu não vou te contar que eu perco o sono, que eu tenho medo e que eu não me concentro em mais nada. Eu me sinto uma estrangeira pelas ruas que eu conheço tão bem, tropeço nas calçadas e tenho os olhos turvos — passei a ter certeza que aqui não é o meu lugar só porque não te vejo por aí. Vou te deixar observar só a minha leveza: a leveza causada por ti. O lado pesado de mim eu vou esconder porque o que é pesado demais machuca e eu não quero te machucar. Não quero te assustar. Não quero te perder. Eu sabia, meu amor, eu sabia que quando o amor se esbarrasse comigo de novo, toda essa agonia voltaria; eu não tenho culpa se é assim que eu amo. Eu me atiro fundo e sei que nem todos estão dispostos a mergulhar comigo e por isso que eu fugia tanto, mas você me desarmou quando surgiu. Você me fez levantar a bandeira branca antes mesmo de haver alguma guerra, algum confronto. E agora eu me pergunto se você está disposto a mergulhar comigo. Você não me faz mal, você enche meu peito tanto-tanto-tanto e depois — só pra não deixá-lo explodir — me faz soltar o ar devagarinho enquanto eu suspiro. E eu me prendi na certeza que você me passa cada dia mais. Mas o problema é que eu também estou presa na incerteza que eu me passo cada dia mais. A incerteza do amanhã me dói, mas eu já disse que não quero falar sobre isso. Deixa eu te contar da paz, dos sonhos que eu tive com você e de como meu coração dispara só de ouvir sua voz do outro lado da linha. Esquece o resto e vem. Vem e me conta alguma história também. Vem e fica — pra sempre, se possível.”
Um comentário:
Nooooossaaaaaaaaaa que lindo...
Parabéns Ana, adorei esse texto..
dolorido, de ler sentindo dor no peito...
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