“Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o
aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos
estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em
algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes
favoritos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me
desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca
mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo
que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração,
este órgão tão nobre. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a
devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que
não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha
melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta
alegria.”
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