22 de mai. de 2015

MOÇA NA JANELA
O tom alaranjado do céu se esvai
E outro matiz toma assento.
Na revoada dos pássaros ao escurecer,
Recai o véu da noite, trêmulo ao vento:
Aquele que se tornará sedento
Do clarão da lua.
A esperar por ela, moça na janela...
Todo fim de tarde, na cidadezinha,
A pensar na vida, a lembrar da ida
do homem amado para o outro lado
E deixá-la só, com filhos pequenos,
Na cidadezinha sem perspectiva:
Só necessidade, só ferida viva.
A dura realidade, a luta pela vida!
Quando o sol aflora
E traz a brisa fria,
A mulher guerreira,
Ainda que abatida,
Finca o pé na terra
E vence mais um dia.
Quando a terra cora,
Moça na janela
Despede a tristeza,
Manda a dor embora
E absorve estrelas...
Avermelha o céu,
Levanta a poeira!
Do árduo trabalho
Recolhe o sustento,
Pois conta com o alento
Da fé verdadeira!

Nenhum comentário: