25 de mai. de 2008
Direto do PLANETA SOLIDÃO
Olho pro lado e sinto uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica. Saudade de alguma coisa ou de alguém, não sei. Talvez de mim, de algum marido fabuloso que eu tive em alguma encarnação, do útero da minha mãe, do meu anjo da guarda que está de férias em Acapulco, do meu avô que embrulhava sempre meu aparelho de dentes em um guardanapo e depois esquecia e jogava no lixo achando que era resto de algum lanchinho, de algum amor verdadeiro que durou um segundo, de uma cena perfeita que meu inconsciente formou na infância e que eu me encarreguei de acreditar como sendo meu futuro.
Meus amigos me adoram e certamente chorariam se eu morresse. Mas será que eles sabem que eu penso sempre na morte? Será que eles sabem que aquela garota alí no canto da mesa, de decote, de bolsa da moda, rindo pra caramba, contando mais uma de suas aventuras vazias e descartáveis, acorda todos os dias pensando: o que eu realmente quero com essa vida? Como eu faço pra ser feliz?
Será que eles sabem que se eu estou morrendo de rir agora, daqui a pouco vou morrer de chorar? E vice-versa? E isso 24 horas por dia? E isso mesmo com terapia, mesmo com macumba, mesmo com espiritismo, mesmo com meditação, mesmo com o namoradinho da semana. Será que eles sabem o tanto que eu sofro e o tanto que eu não sofro a cada segundo?
Meus amigos me adoram. Mas sempre que podem, tiram sarro da minha cara. Sempre que podem, me transformam na chacotinha da mesa: Ana não sabe nadar, Ana não se droga, Ana não bebe, Ana expõe sua vida , Anai não arruma ninguém que a ame de verdade porque é louca, Ana assusta os caras, Ana é boba e se apaixona sempre, Ana não leva ninguém a sério, Ana explode por tudo, Ana fala demais, Ana fala palavrão, Ana reclama demais…
Minha melhor amiga me ama muito, mas ela adora que eu seja o erro em pessoa só para ela se sentir o acerto em pessoa. Meu melhor amigo me chamou de infeliz um dia e eu nunca mais consegui rir da infelicidade dele. Meu outro amigo me adora, muito, mas se pudesse, de verdade, ele trepava comigo a noite inteira e nem me ligava no dia seguinte. Meus amigos me amam, muito, mas nem o máximo de amor de uma pessoa chega perto do que deveria ser amor. Amor não significa mais amor. E eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que eu não sei o que é. Dessa coisa que talvez seja amor.
Sinto um nojo enorme e desesperador de todos os afetos em pílulas que posso ganhar. Fulano me acha a melhor companhia do mundo mas, pensando bem, ele pode desfilar com modelos por aí. Fulano pensa em mim todos os dias mas, pensando bem, ele tem que curtir a vida com seu carro novo. Fulano se diverte horrores comigo mas, pensando bem, ele também curte aquela tia tatuada que eu nem sei quem é e no fundo to pouco me lixando. Fulano passeou de mãos dadas comigo naquele fim de tarde que mereceu nossos aplausos, mas, quer saber? Viram ele dois dias depois de dormir na minha casa com outra numa festa. Fulano me apresentou para todos os amigos e encheu minha geladeira de comida mas, quer saber, putz, qualquer garotinha do bar dos pseudo-intelectuais malas também pode ser interessante ou, caso não seja, ao menos tem um buraco. Odeio todas as minhas pílulas, odeio todos os amores baratos, curtos e não amores que eu inventei só para pular uma semana sem dor. A cada semana sem dor que eu
pulo, pareço acumular uma vida de dor. Preciso parar, preciso esperar. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar e mais ainda a dor que vem depois dos dias entorpecidos.
Eu invento amor, sim. E dói admitir isso. Mas é que não aguento mais não dar um rosto para a minha saudade. E não aguento mais os copos, as fumaças, os amigos, as intenções e as bolinhas de guardanapo pela metade. É tudo pela metade. Ao menos a minha fantasia é por inteiro. Enquanto dura.
No final bruto, seco e silencioso da melhor festa do mundo que nem começou, é sempre isso mesmo. Eu aqui tomando meu chá mate limão meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. Aí eu limpo a maquiagem com creme anti-sinais e percebo que não faz o menor sentido ser uma criança chorona preocupada com rugas. Aí eu me acho louca porque só tem duas coisas que eu realmente queria nesse mundo: voltar a ser filha. E aí eu deito pra dormir e penso em sacanegem, mas também penso em coisas bonitinhas. E eu rezo pedindo a Deus que não espere mais eu ser legal para ser legal comigo, porque eu to esperando ele ser legal comigo para ser legal. Aí eu penso que ele já é legal comigo e que, talvez, eu já seja legal com ele. E que tá tudo bem. Mas se eu penso que tá tudo bem nesse segundo, isso só significa que vou pensar o oposto no segundo seguinte. E que eu escrevi “ele” sem maiúscula mesmo, porque amigo íntimo a gente não fica com essa coisa de endeusar. E eu queria que Ele fosse meu amigo íntimo, ou ao menos existisse. E quando vou ver, já dormi. Sozinha.
24 de mai. de 2008
Título??? Não sei.
O gosto pesado de erros soltos, expostos, e mais do que de encontro com o que palpita sem coerência mas soa em perfeição dentro de mim. O ar que bombeia as formigas de uma retardada felicidade levando sensações até para as improváveis pontas do cabelo e unhas do pé. Aquele que arrepia até as peles sem vida das camadas mais próximas à morte. As palavras saem querendo ter sentido, mas a boca se morde tamanha a vontade de abocanhar tanta cerimônia e transformar o peso ereto do humano responsável em instinto animal que corre de quatro e morde sem pedir.
Nada que eu não tenha sentido antes, ou escrito, mas mais uma vez, o que pontua minha vida em momentos e me joga para a frente pra cair de cara. Seja para chorar o inferno próximo, seja para me sufocar de você querendo todos os meus ângulos.
De energia presa num interesse congelado que grudei nos seus olhos, ainda me pergunto se minha clareza não te cegou. Minha energia em potencial, louca para cair de um longo prédio de andares divertidos e morrer tristemente no vazio de um fim certo para um sonho improvável, está zerada na espera de um estalar de dedos.
Estale os dedos e olhe para o chão. Eu estarei ali, arrastada em possibilidades e forte em atração para subir até o andar para o qual você me der asas.
Sei, como sempre soube desde que tomei noção de minha existência baseada em vôos com horas marcadas para quedas, que vou me estabacar em pedaços mais uma vez. E sei que os juntarei novamente, me jurando preservação. E, assim que estiver inteira, estarei novamente cheia de vontade de sair dando encontrões com o mundo. Este mundo que insiste em inventar leis, regras, juramentos e instituições. E insiste em perder para seres apaixonados que juram, até para Deus, que nada pode ser mais sagrado do que a fidelidade aos hormônios.
Clichês me embrulham mais o estômago que qualquer podridão que meu ladopuritano oitenta, irmão gêmeo do meu lado safada oito, tente me jogar na cara.
Aqui estou eu aberta até onde se pode rasgar, exposta até onde se pode vender e insinuando até onde se pode explicitar. E ainda que isolada de cúmplices, longe de aplausos e renegada de benção, aqui estou eu novamente servindo com prazer os meus joelhos à divindade do desejo.
Se você não puder esperar, será bem-vindo em minha ansiedade. Se você me quiser embaixo de mangas, será bem-vindo em meu masoquismo feminino nada original.
Por hora lhe agradeço. Voltaram a gritar os teclados espancados de sentidos para traduzir uma alma que já não cabe mais em seu estado natural. Agradeço-lhe o sorriso estúpido que por mais banal que seja. Nos faz sentir negritados em meio a tantos seres e suas aspirações. Agradeço-lhe a vontade de errar, sem ela minha vida não parece certa.
18 de mai. de 2008
MULHER
Mulher é sexta-feira. Cheia de entusiasmo e ansiedade, reclama dos dias, mas adora as horas vividas. Faz pose de final de semana, sai e balança a cabeleira pra si mesma. Põe salto alto pra aumentar a bunda e encolher a barriguinha. Rebola com as amigas e faz o tempo parar quando passa na frente dos marmanjos. Sai só pra dançar (ou não), bebe destilados ou cerveja com a delicadeza de Vênus e olha para as estrelas com ar de diva.
Com um sorriso no rosto reclama do ex e enobrece o atual. Chora de saudades da infância e da comida da mãe. Mas mulher que faz pose de boazinha demais, santinha demais, tem o zap na manga. Pode acordar, abre o olho, rapaz, ninguém é tão santa, nem tão demônio quanto aparenta. Até porque, como dizem, mulheres boazinhas não enriquecem!
Mulher é pimenta. O cheiro pode parecer bom, mas se não souber a quantidade certa, a intensidade e o jeito, sai chorando. Não que sejamos estrategicamente feitas para arder a vida, é que o intervalo entre a doçura e a explosão por fissão é a 'pimentude' feminina. O levantar de uma sobrancelha, o passo mais forte, os dentes cerrados e barulhentos, os olhos de prazer ou de ódio, os extremos vivendo em uma só.
Mulher é peça única. Mulher igual só por fabricação em série e mesmo assim sai com defeitos diversos. Somos e admitimos ser milimetramente defeituosas, cheias de pontas duplas e rímel borrado. Mas cada uma tem o gosto, o jeito, a qualidade, a especialidade de demonstrar o olhar exato no momento certo (ou não).
Homem adora mulher de bem com a vida. Homem adora sexta-feira, cerveja e mulher. E mulher adora ser quem é, sexta-feira da paixão.
O que eu quero de você
17 de mai. de 2008
Comunicação, a arte de falar um com o outro, dizer o que sentimos e pretendemos, falando com clareza, ouvir o que o outro fala, deixá-lo certo de que estamos ouvindo é, sem sombra de dúvida, a habilidade mais essencial para a criação e a manutenção de um relacionamento amoroso.
A afirmativa é de Leo Buscaglia, professor de uma Universidade da Califórnia.
Ele diz que o mais alto nível da comunicação é o não verbal. O que quer dizer: se você ama, mostre isto em atitudes. Faça coisas amorosas para o outro. Seja atencioso. Coloque os seus sentimentos na prática.
Faça aquela comida favorita. Mande flores. Lembre-se dos aniversários. Crie os seus próprios feriados de amor. Não espere pelo Dia dos Namorados.
E ele relaciona alguns pontos importantes para que uma relação a dois se aprofunde e se agigante, vencendo os dias, os meses e os anos.
Diga sempre ao outro que o ama, através de suas palavras, suas atitudes e seus gestos. Não pense que o seu par já sabe disso. Ele precisa desta afirmação.
Cumprimente sempre o seu amor pelos trabalhos bem-feitos. Não o deprecie. Dê o seu apoio quando ele falhar. Pense que tudo o que ele faz por você, não o faz por obrigação. E estímulo e elogio asseguram que ele vai repetir a dose.
Quando você se sentir solitário, incompreendido, deixe-o saber. Ele se sentirá mais forte por reconhecer que tem forças para confortar você.
Afinal, os sentimentos, quando não externados, podem ser destrutivos. Lembre que, apesar de amá-lo, o outro ainda não pode ler a sua mente. Não se feche em si mesmo.
Expresse sentimentos e pensamentos de alegria. Eles dão vida ao relacionamento. É maravilhoso celebrar dias comuns, datas pessoais, como o primeiro encontro, o primeiro olhar, o dia da reconciliação depois de um breve desentendimento.
Dê presentes de amor sem motivo. Ouça a sua própria voz a falar de sua felicidade.
Diga ao seu amor que ele é uma pessoa especial. Não deprecie os sentimentos dele. O que ele sente ou vê é sua experiência pessoal, portanto, importante e real.
Abrace sempre. A comunicação de amor não verbal revitaliza a relação.
Respeite o silêncio do seu companheiro. Momentos de quietude também fazem parte das necessidades espirituais de cada um.
Finalmente, deixe que os outros saibam que você valoriza a quem ama, pois é bom partilhar as alegrias de um saudável relacionamento com os outros.
* * *
É possível que você esteja pensando que todas essas idéias não são realmente necessárias entre pessoas que se amam. Elas acontecem de forma espontânea.
Mas, nem tanto. Nem sempre. São esses vários aspectos da comunicação que constituem o alicerce de um relacionamento amoroso saudável. Eles também produzem os sons mais maravilhosos do mundo. Os sons do amor. Experimente!
9 de mai. de 2008
Ih... Sou assim mesmo!!!!!
[Fernanda Young]
Um abraço. Desses assim: de saudade.....
Nós não precisamos de drogas. Coisas incríveis acontecem no nosso organismo sob efeito de um abraço, mesmo que de sonho. Toda a disposição do mundo em volta de mim ficou diferente. Mesmo com o dia feio e chuvoso, tudo o que eu conseguia sentir era o acolhimento, um dia inteiro pela frente cheio de perspectivas, a luminosidade da manhã, esse tipo engraçado de coisa que a gente sente depois de algumas cervejinhas, só que sem elas, dessa vez. Fiquei quieta prestando atenção nas sensações todas, na tentativa de apreender cada uma e conservá-las o mais possível em mim pelo resto do dia. A química é minha, ninguém me deu, ninguém me tira...
E já que o tom é meio onírico mesmo, a conformidade fica mais bonita na boca do Leminski:
quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento.
Paixão (texto de Adriana Falcão)
...e interpretação de Cláudia Abreu. Quando a inspiração acaba, a gente cita. Abre aspas....."Graças a Deus eu não penso mais no Jorge. Inclusive, eu já acordo pensando: não vou pensar nele hoje. Ahn...não vou pensar nele hoje? Não, não, eu NÃO vou pensar nele hoje! Mas eu não vou mesmo! Cala a boca, Jorge, cala a boca, eu não penso mais em você! Cala a boca! Eu não disse que eu não penso mais no Jorge? Nem penso mais no Jorge. Nem no que ele me fez...nem na falta que ele me faz...Ai, vou telefonar pra ele! Telefonar pra ele então...nem pensar. Se por acaso vier à minha cabeça a palavra assim: “telefone”, eu imediatamente começo a pensar em outra coisa. Telefone, Graham Bell (o cara que inventou o telefone, não é?) Graham Bell- Jingle Bell, Jingle Bell- Natal, natal a blusa que o Jorge me deu no ano passado...sai, sai, sai!Esse ano eu não vou pensar no Jorge um único dia. Minha cabeça vai estar ocupada com coisas muito mais importantes: o que é que eu vou fazer da minha vida sem o Jorge, por exemplo. O que eu vou fazer da minha vida sem o Jorge, por exemplo.... O que eu quiser, ora! Como por exemplo, me matar! Por que eu não vivo sem o Jorge? Olha lá! Olha lá, todo mundo vivendo sem o Jorge! Todo mundo vive sem o Jorge, menos eu. Ah, lá, o porteiro vive sem o Jorge. Ah, lá, a mulher da farmácia vive sem o Jorge. A mulher da banca de revista também...
8 de mai. de 2008

Más, muito más, pra quem tinha a reciprocidade. Os olhares trocados, as promessas renovadas de encantamento eterno. Eu amo, e sou correspondida! O céu, a terra, os passarinhos, etc. Os apelidinhos, as coincidências cheias de cumplicidade, (Ahhhhhhhhhh!!! Não me diga que você também espirra quando está resfriado! Que você também não gosta de abobrinha recheada, e também dorme de lado! Que legal!!!!) O frio na barriga, a felicidade estonteante, boa, boa, cheia de perspectivas, para nossa imensa tristeza, escorrendo pelo ralo junto com os produtos de limpeza, as implicâncias cotidianas e as contas a pagar. Puf. E de repente, do sangue do outro que se perdeu na nossa veia, de não saber onde eu termino e onde o outro começa, de sorrir e sentir o sorriso do outro no nosso próprio rosto, não mais que de repente, ele se discrimina. Descola. Ele vira OUTRO, e com sorte, alguém de quem a gente continua gostando muito.
Boas pra quem se vê apaixonado sozinho, chances de reciprocidade reduzidas a zero , o oceano de perspectivas maravilhosas tornado, sem atenuantes, o abismo da auto-consciência do absurdo. Pé na beira desse abismo, a paixão se transforma num inseto zumbindo todos os dias no seu ouvido, e quanto mais você pede pra ele desaparecer, mais ele zumbe. Você se sente mal, pego em flagrante desejando ardentemente alguém quem tem dificuldade até pra lembrar como é mesmo o seu nome, e sem nunca ter sido religioso, se pega rezando todos os dias pra ela acabar. Faz promessas pra santos que você nem suspeitava que existiam. Faz equações complicadíssimas, provando por A+B que ela não existe. E ela zumbe, zombeteira. Tudo inútil e desnecessário, porque todo mundo sabe: ela acaba. O tempo se encarrega dela, com ou sem suas orações e equações. E quando acaba, você olha pra sombra do que ela era entre aliviado e triste: lá está o encanto desencantado, o outro re-humanizado, nem príncipe nem sapo, os perfumes inebriantes tranformados em, vá lá, cheiros agradáveis, a vida com a intensidade reduzida, e você prometendo que de hoje em diante só se apaixona por idéias, causas, e no campo do tangível, no máximo por vinhos italianos.
6 de mai. de 2008
Vivendo intensamente

3 de mai. de 2008

''Caminhos para conquistas''
''Nos perdemos na preocupação em ter e não ser,ter é pouco,ser é tudo,tudo o que você tem não te leva a nada,no entanto tudo que você é, abre caminhos para conquistas,em todos os âmbitos,aprenda a ser melhor a cada dia,isso é suficiente,o ter será conseqüência daquele que você é...''
2 de mai. de 2008
Declaração dos Direitos do Amor
Considerando ser o Amor o maior de todos os agentes de Utilidade Pública,
PROCLAMA-SE O QUE SEGUE:
Artigo 1º
O amor pode apropriar-se de todo e qualquer coração, com ou sem anuência do dono.
Artigo 2º
Em presença de sentimentos inferiores, tais como a raiva, o ódio e o ressentimento, ao Amor é permitido julgá-los e extraditá-los sem direito a reconsideração da pena.
Artigo 3º
O Amor deve ser respeitado em todas as suas formas, sejam elas dirigidas a pessoas, coisas, vegetais ou animais.
Artigo 4º
Ao Amor é sempre permitida a companhia do perdão, pois que sem este Ele está falsificado.
Artigo 5º
O Amor tem o direito de ficar cego, surdo e mudo quando em presença de maledicências e pode apresentar-se como agente de Paz diante de desarmonias e atos prejudiciais a todos os seres do Planeta.
Artigo 6º
O Amor tem licença plena para manifestar-se livremente, independente de raça, credo ou religião. Ele é incondicionalmente livre para viver em seu habitat natural: o coração.
Artigo 7º
O Amor é bússola que aponta o caminho para a Felicidade e assim deve ser indiscutivelmente reconhecido.
Artigo 8º
A todo aquele que banir o Amor do seu coração será imputada a pena de solidão, isolamento e sofrimento perpétuos.
Artigo 9º
O Amor nunca deverá ser responsabilizado por dores, perdas ou danos e tem amplos poderes para neutralizar todas as batalhas, sejam elas emocionais, familiares ou sociais.
Artigo 10
Ao Amor não se aplicam Leis Trabalhistas: Ele pode execer suas funções 24hrs por dia durante TODOS OS dias do ano.
Artigo 11
Quando o Amor entra em corações, deve ser bem recebido, bem tratado, bem nutrido e absolutamente livre para agir em prol de todos os envolvidos por Ele.
Artigo 12
Em nenhuma hipótese o Amor deverá ser álibi para atitudes de más intenções, tais como usá-Lo como desculpa para enganar, iludir ou controlar corações. Também nunca poderá ser instrumento de brincadeira com o sentimento do homem ou da mulher.

Não sei por onde começar esta carta que já nasce atrasada, pensamos sempre que temos muito a dizer mas as palavras são pouco amistosas, onde encontrá-las agora, às três e dez de uma madrugada em que me encontro insone e pensando mais uma vez em você?
Você esperou por estas palavras por muitos meses, na esperança de que elas aliviariam a dor do seu coração, mas elas não vieram porque estavam ocupadas vigiando meus impulsos, me impedindo de me abrir, e minha própria dor lhe pareceu desatenção, eu que não durmo de tanta paixão congestionada, de tanto desejo represado, de tão só que estou.
[...]
Pela enormidade de tempo que temos pela frente em que não nos veremos mais, não nos tocaremos ou ouviremos a voz um do outro, pela quantidade de dias em que conduzirás tu vida longe de mim e eu de ti, pela imensidão da nos descrença, pela perseverança da nossa solidão, pelos nãos todos que te falei, pelo pouco que houve de sim, acredita: te amei além do possível, não te amei menos que a mim.
1 de mai. de 2008
Alegria???? Nem tanto....

A Alegria na Tristeza
O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.
O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.
Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.
Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.
♥