9 de mai. de 2008

Um abraço. Desses assim: de saudade.....

Hoje tive um sonho segundos antes de acordar. Sonhei que um amigo chegava de longe e me dava um abraço demorado, desses sem pressa, afetuosos, e acordei no meio do abraço.

Nós não precisamos de drogas. Coisas incríveis acontecem no nosso organismo sob efeito de um abraço, mesmo que de sonho. Toda a disposição do mundo em volta de mim ficou diferente. Mesmo com o dia feio e chuvoso, tudo o que eu conseguia sentir era o acolhimento, um dia inteiro pela frente cheio de perspectivas, a luminosidade da manhã, esse tipo engraçado de coisa que a gente sente depois de algumas cervejinhas, só que sem elas, dessa vez. Fiquei quieta prestando atenção nas sensações todas, na tentativa de apreender cada uma e conservá-las o mais possível em mim pelo resto do dia. A química é minha, ninguém me deu, ninguém me tira...

E já que o tom é meio onírico mesmo, a conformidade fica mais bonita na boca do Leminski:

PROFISSÃO DE FEBRE

quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento.

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