7 de dez. de 2012

:(

Minha intenção nunca foi ir tão longe. Enquanto eu juntava as minhas coisas e tentava arrumar a bagunça do meu quarto, era isso que eu pensava. Você sabe, eu sempre te falei mil vezes que esse mundo quebra meus ossos de uma maneira insuportável e que eu não sou tão forte quanto pareço. O vento entrava freneticamente pela minha janela e eu estranhei, porque o meu quarto é o cômodo dessa casa que menos circula ar por alguma razão desconhecida. E pensando no vento, no mundo e em você, eu só conseguia pensar que não podia ter ido tão longe. Longe, no sentido de me afundar como se eu tivesse oxigênio suficiente para nunca subir à superfície. Eu me perdi tanto em você que esqueci que precisava respirar, precisava puxar ar com força. Mas minha convicção interior sempre me disse que segurar sua mão era o suficiente. Bobagem, isso é pura ficção melodramática. Segurar sua mão era o que eu mais queria, mas se eu não respirasse, eu só te puxaria para baixo comigo nesse desespero que toma conta das pessoas que estão se afogando.
Eu só consigo pensar nisso agora, antes eu estava cega demais para enxergar. Agora que você já disse não pensar tanto, meu peito fica meio corroído enquanto eu tento puxar o ar. Parece que existem bilhões de marimbondos picando cada pedaço do meu pulmão enquanto eu guardo minhas coisas e depois fico deitada abraçando aquele urso de pelúcia que tem o nome que você escolheu. Tem sido difícil respirar. O urso tem o meu cheiro e isso me dá vontade de chorar porque meu cheiro sempre foi o seu favorito e eu fico enjoada quando penso nas noites que o telefone ficava na cabeceira da cama e tudo que você queria era deitar e ver o Sol nascer. Em silêncio. Eu me sentia completa e você se sentia também. Eu sei porque você disse que essa é uma das melhores lembranças que você tem de nós. E eu ainda tenho tentado entender o que de tão errado que eu fiz para tirar os trilhos do trem. Fico repetindo nossos passos, correndo atrás de migalhas pelo caminho e minha mente me deixa tonta de tanto pensar. Eu nunca queria que tivesse passado. Achei que era para ficar. Porque aquela loucura do amor, aquela febre, aquela vontade de morrer de ciúmes e depois morrer de paixão, era aquilo que nos alimentava. E agora, sem nenhum pensamento pela manhã, sem nenhum plano ou declaração, nós estamos pisando descalços nesse chão cheio de cacos de vidro. E isso está me machucando muito.
Eu poderia te pedir para me pegar no colo e me colocar deitada na grama. Eu poderia e eu queria muito fazer isso. Mas eu não tenho direito disso mais. Não me sinto no direito de nada. Fico ouvindo sua respiração silenciosa como se você estivesse dizendo alguma coisa importante e agora, eu já não consigo mais dizer nada. Só fico quieta. Não quero te pedir para ficar, mas eu quero que você fique. Só que eu também não quero que continuemos andando nesse chão que já se sujou tanto com nosso sangue. Eu sinto uma fraqueza enorme enquanto eu olho para seu rosto pálido, sua boca vermelha e sua tristeza infinita. Eu não sei bem o que poderemos fazer. Não sei te libertar desses demônios que nos cercam, não sei destruir esse buraco-negro sozinha. Eu preciso da sua ajuda. Você precisa da minha também. Mas temos que atravessar esse caminho de cacos e depois procurar nosso pedacinho de ouro no meio do ferro-velho. Eu só faço metáforas ruins, mas está tudo dolorido.
Eu ainda quero nossa salvação.

28 de nov. de 2012

Carpinejar escreveu pra mim... :)

Adeus, meu amor, logo nos desconheceremos. Mudaremos os cabelos, amansaremos as feições, apagarei seus gostos e suas músicas. Vamos envelhecer pelas mãos. Não andarei segurando os bolsos de trás de suas calças. Tropeçarei sozinho em meus suspiros, procurando me equilibrar perto das paredes. Esquecerei suas taras, suas vontades, os segredos de família. Riscarei o nosso trajeto do mapa. Farei amizade com seus inimigos. Sua bolsa não se derramará sobre a cadeira. Não poderei me gabar da rapidez em abrir seu sutiã. Vou tirar a barba, falar mais baixo, fazer sinal da cruz ao passar por igrejas e cemitérios. Passarei em branco pelos aniversários de meus pais, já que sempre me avisava. O mar cobrirá o desenho das quadras no inverno. As pombas sentirão mais fome nas praças. Perderei a seqüência de sua manhã - você colocava os brincos por último. Meus dias serão mais curtos sem seus ouvidos. Não acharei minha esperança nas gavetas das meias. Seus dentes estarão mais colados, mais trincados, menos soltos pela língua. Ficarei com raiva de seu conformismo. Perderei o tempo de sua risada. A dor será uma amizade fiel e estranha. Não perceberei seus quilos a mais, seus quilos a menos, sua vontade de nadar na cama ao se espreguiçar. Vou cumprimentá-la com as sobrancelhas e não terei apetite para dizer coisa alguma. Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-la com a dúvida. Adeus, meu amor, a vida não nos pretende eternos. Haverá a sensação de residir numa cidade extinta, de cuidar dos escombros para levantar a nova casa. Adeus, meu amor. Não faremos mais briga em supermercado, nem festa ao comprar um livro. Não puxaremos assunto com os garçons. Não receberemos elogios de estranhos sobre nossas afinidades. Não tocaremos os pés de madrugada. Não tocaremos os braços nos filmes. Não trocaremos de lado ao acordar. Não dividiremos o jornal em cadernos. Não olharemos as vitrines em busca de presentes. O celular permanecerá desligado. Nunca descobriremos ao certo o que nos impediu, quem desistiu primeiro, quem não teve paciência de compreender. Só os ossos têm paciência, meu amor, não a carne, com ânsias de se completar. Não encontrará vestígios de minha passagem no futuro. Abandonará de repente meu telefone. Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outros homens. Terá insônia com outros homens. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.
Fabrício Carpinejar

27 de nov. de 2012

Não dói mais...

Pra você ver, como um ano passa rápido.
A queda foi feia, realmente. Na hora que eu cai, juro que pensei que tivesse quebrado no mínimo umas quinze partes do meu corpo. O coração doía mais que tudo, quem olhasse pra mim descobriria que eu estava totalmente estraçalhada por dentro. Porra, eu chorei tanto, achei que não fosse capaz de sair de casa por um mês… No entanto, não foi bem assim. Que a dor foi grande, ela foi. Que eu preferia nunca ter passado por aquilo, é verdade, mas tudo aconteceu né? Era uma coisa simples e fácil de entender, não era algo que eu pudesse escolher. Ou eu te esquecia, ou eu te esquecia. Não tinha pra onde correr, aquilo, a tua presença, as tuas promessas que nunca se cumpriram, a minha fé cega de que um dia você tomaria vergonha na cara e viraria o tipo de cara certo pra mim, estava acabando comigo, literalmente. A culpa não foi só sua, pra falar a verdade, acho que ninguém teve muita culpa nisso. Eu achei demais, você falou demais, pra no fim nem um nem outro ter razão. Foram tantas conversas, juro que pareceu que nós nos conhecíamos há anos pra mim. Como se eu tivesse gostado de você a vida toda, como se cada dia durasse um mês e que cada mês durasse um ano. Seria muita hipocrisia da minha parte dizer que te conhecer foi a pior coisa que me aconteceu, afinal, quem me ensinaria tanto? Mesmo sendo esse babaca que tu é, e pelo visto sempre vai ser, obrigada; por todas as vezes que você me fez chorar. Obrigada por todas as vezes que você disse que gostava e se importava comigo sem dar a mínima, de verdade mesmo. Eu acho que se tivesse sido diferente eu nunca saberia como as pessoas realmente são já que a ingenuidade sempre me derrubou, mas contigo o tombo foi tão feio e doloroso que eu aprendi a manter os pés firmes no chão. Como eu mesma te disse uma vez, “Ás vezes a gente muda e nem percebe”. Eu mudei, mudei pra caralho e não pretendo voltar a ser o que era antes. Eu deixei de ser aquela menina boba e apaixonada. Cansei de tentar levantar todo mundo, tem gente que tem q ficar no chão pra poder criar coragem de levantar. E eu devo tudo isso a você que eu tanto quis bem, eu devo isso a você que tanto me fez mal, eu devo toda a minha força a você que partiu meu coração em mil pedaços e praticamente disse: “Vai boba, agora se vira e arruma essa bagunça que eu fiz”. E eu consegui, felizmente eu consegui deixar quase tudo no lugar, quase tudo, pois eu já não me recordava de como era antes, e nem fazia questão. O importante é que tudo se ajeitou, e agora ta mais do que na hora de dizer que: “Um ano passou rápido, mas ainda sim eu não me esqueci de te parabenizar pelas mágoas e pedir desculpas por ter te tirado da minha vida, mas pra falar a verdade… É ai mesmo que você deve ficar, longe de mim, e do meu coração que finalmente esqueceu teu nome, teu rosto, tua voz, e qualquer outra sinal teu”.

20 de out. de 2012

É verdade


Todo abandono é comprovação que devemos amar apenas o que nos pertence. Independente do espaço ou do que foi escrito, não importa quem você ame desde que essa pessoa te faça feliz.

Temos costume de escolher o mais difícil porque não acreditamos em amor fácil, em amor certo. Precisamos corrigir o destino, nos contentamos com as lágrimas e a falta de aviso prévio da cama vazia. Nos comprometemos com o drama, porque amor bonito é o que nos faz sofrer, é o que nos faz superar o fim do mundo.

É ilusão querer uma vida em que não somos amados o suficiente, em que a possibilidade do “até a morte os separe" não seja recíproca. Migalhas sentimentais não preenchem coração nenhum, mas preferimos isso por pensar ser tudo.

Freqüentamos respostas mudas por esperança que possa melhorar, por espera sem hora marcada, por medo de não complicar o suficiente e provar o quão verdadeiro é o sentimento. Então, vem à decepção, vem o desgaste das mãos, vêm os passos perdidos e uma vontade enorme de ter a chance de fazer tudo diferente, mas igual.

A preocupação de consertar a infelicidade é tão grande que não percebemos que felicidade verdadeira vem sem exigências, sem prazo de validade e sem controle sobre o saldo de risos. A pessoa que pode te amar de verdade não vai te obrigar a entender isso, vai te mostrar permanecendo sempre ao teu lado. Completando os espaços vazios ao teu redor, ajudando sem mentir, e você notará que há anos luz esse alguém só estava ali por causa de você.
Antes de tudo e de qualquer um, alguém ali por você. Alguém ali que pode te ter e te manter com amor, um amor que já veio certo. Sem precisar de correção gramatical ou de aulas de etiqueta. Dessa vez, você amará quem te pertence e não quem tentou se fazer de teu.

Nosso tempo


O mundo sem você é decepção e essas fraquezas do meu coração são causadas pela tua falta. Nenhuma multidão consegue me fazer sorrir, nenhum telefonema me tranquiliza e por tudo isso eu sinto que adoeço em parcelas – pequenas, mas imensas parcelas das memórias que criamos juntos.

Minhas lágrimas já atravessaram todas as fronteiras possíveis da saudade, mesmo sem querer te amo, mesmo reconhecendo isso eu te quero. A tua ausência é amostra do inferno, e agora sou só resto de domingo sem querer existir na segunda-feira. Todos os erros nos trouxeram até aqui e já não importa quem tem mais parcela de culpa ou quem não deveria ter feito ou desfeito tantas justificativas sem desculpas.

Eu te amo como se não pudesse amar nada além de ti. E tenho morrido por não sentir mais teu abraço sobre minha cama. Não pense que está sendo difícil pra mim, está sendo insuportável. Meus dias são um café frio sem açúcar, sem gosto, sem vontade.

Todo segundo imagino como seria estar contigo, tudo a minha volta me faz pensar em nós. Quem sabe a gente possa recomeçar e você possa entender que apesar de tudo e todos, a felicidade está em nossas mãos dadas. Me dá chance de te mostrar que somos de verdade, que essa vida só vai dar certo se eu estiver contigo.

10 de out. de 2012

Jason Mraz - Won't Give Up



Eu Não Vou Desistir


Quando olho em seus olhos
É como assistir o céu noturno
Ou um belo amanhecer
Eles carregam tanta coisa
E como as estrelas antigas
Vejo que chegou tão longe
Para chegar aonde está
Qual a idade da sua alma?

Eu não vou desistir de nós
Mesmo que os céus fiquem severos
Estou te dando todo meu amor
Permaneço olhando para cima

E quando precisar de seu espaço
Para navegar um pouco
Eu estarei aqui pacientemente esperando
Para ver o que vai encontrar

Porque até as estrelas queimam
Algumas até mesmo caem sobre a Terra
Temos muito a aprender
Deus sabe que somos dignos
Não, não desistirei

Eu não quero ser alguém que vai embora tão facilmente
Estou aqui para ficar e fazer a diferença que eu posso fazer
Nossas diferenças fazem muito para nos ensinar como usar
As ferramentas, as habilidades que temos sim que temos muita coisa em jogo
E no fim, você ainda é minha amiga, pelo menos não fomos tendenciosos
Para funcionarmos, não quebramos, não queimamos
Tivemos de aprender a ceder Sem deixar o mundo ceder à pressão
Tive que aprender o que tenho e o que não sou
E quem sou

Eu não vou desistir de nós
Mesmo que os céus fiquem severos
Estou te dando todo meu amor
Permaneço olhando para cima
Permaneço olhando para cima

Eu não vou desistir de nós
Deus sabe, sou difícil, ele sabe
Temos muito a aprender
Deus sabe que merecemos

Eu não vou desistir de nós
Mesmo se os céus fiquem severos
Estou te dando todo meu amor
Permaneço olhando para cima

17 de set. de 2012

Guarda pra mim...

Guarda, para mim, o teu melhor sorriso. E a tua mais alta risada. Guarda o cheiro do teu corpo quando você acaba de sair do banho, e daqueles outros tantos perfumes que você usa. Guarda, para mim, o som mais inesquecível, que é o da tua voz. Guarda até aquelas suas manias bobas, que me fazem sorrir. Guarda cada detalhe teu, cada milimetro, cada minúcia tua… Eu faço questão, mesmo que isso pareça bobo. Guarda o teu abraço quente para a noite mais fria e, também, teu abraço apertado para o nosso reencontro. Guarda os teus olhos que me enxergam muito melhor do que eu sou. E que, quando me olham, me fazem querer ser olhada cada vez mais. Guarda, para mim, o teu jeito de menino. E as tuas piadas sem graça que eu finjo achar graça só para te ver rindo daquele teu jeito bonito. Guarda as tuas manias, e esse teu costume de dormir escutando a minha voz. Guarda os teus medos, teus tropeços e erros. E, se algo der errado, guarda a tua confiança em saber que eu tornarei tudo melhor. Guarda, amor. Guarda o que for teu. Mas, deixa que eu guardo o teu coração. Deixo ele bem aqui, coladinho ao meu.

4 de set. de 2012

Leia...

Não faltou amor, disso eu tenho absoluta certeza… Mas então qual foi o nosso problema? Talvez tenha sido excesso de alegria, carinho, sei lá. Suponho, talvez, que tenha sido muito amor. A sua parte se doou aos poucos… Eu não me contive, me doei inteira ao nosso amor. Não me arrependo, jamais pense isso, por favor. Só acho que coloquei muita fé naquilo que nem era tão importante pra você. Pra mim, era o chão, o céu, e mais que isso. Você era o responsável pelo meu sorriso, pela minha alegria. Eu ouvia a sua voz, o meu mundo coloria e logo tudo voltava ao normal. Passava aquela ausência de pessoas que poderiam mudar tudo. O tempo passou, mudou tanta coisa em nós. Aquele tão esperado amor apareceu e durou pouco, e pra ser bem sincera, preferia que nem tivesse acontecido. Você veio, mas se foi muito rápido. Juro que houve um tempo em que eu te desejava, e as circunstâncias que me separavam de ti, também me faziam permanecer paciente. Eu sonhava com o nosso reencontro, vivia ouvindo as nossas músicas, lendo as nossos históricos. Apenas existia nós na minha cabeça. Obsessão insegura me unia a você, mesmo de tão longe. E se hoje houvesse uma comparação pro meu amor daquela época, eu diria gelo. Isso mesmo, não se assuste. Gelo por ser sólido e frio. Só que aos poucos foi derretendo, sumindo aos poucos. Se tornou líquido, essas são as minhas lágrimas. Ai evaporou. Quebrou, morreu. Desculpe, mas não consegui fazer reviver esse amor sem a sua ajuda. Meu esforço, em vão, não valeu de nada. Sabemos que foi melhor assim. Ainda vou te ver novamente, trilhando o meu próprio caminho e vivendo a minha vida. Você vai estar fazendo o mesmo. Quem sabe se nos encontramos e passamos a construir o nosso futuro? Quem sabe se renasce aquilo que um dia sentimos? Ninguém sabe. Eu torço pra que fiquei bem… No fundo a gente se espera. Vagando por um mundo qualquer, a gente se encontra…

15 de ago. de 2012

Não desligaaaaaaa!

Vou até o Japão. Falo sério, não desliga o telefone, não diz adeus agora, não estraga a minha súplica: não me corta na hora errada. Eu me cortei, você sabe. Cortei lá dentro, mais do que uma navalha poderia cortar. Cortei veia e artérias, esperanças e histórias… Eu te cortei. Nós nos cortamos. Não, não chora… Por favor. Eu não estou gastando dinheiro para chorarmos, mesmo que eu já tenha feito isso de graça por mil dias desde aquele último. Nós nos cortamos porque as pessoas são assim, erro de cálculo humano: elas se perdem e se cortam diariamente. Cortes internos de uma tal maneira que o médico semana passada disse que nunca me viu tão saudável. Ah, se ele soubesse… Você não pensa no curativo? Eu penso, todos os dias. Eu tentei alguns, vou confessar e, por favor, não quebre a caneta que você agora deve estar usando para riscar fervorosamente a folha na sua frente enquanto desconta a raiva da vida - de nós. Eu tentei com pessoas na minha cama, com bebidas e cigarros entre os dedos, com um quase namoro fracassado, com uma vida profissional bonita, com sonhos novos, com dias de mendigagem: eu tentei. O curativo nunca esteve em nada disso. Que coisa idiota eu ligar para falar de curativos, você tem razão de querer desligar. Mas não, ainda não desliga. O curativo sempre foi você. A caixinha de remédios da minha vida, e me perdoa o anti-romantismo, eu não sei acertar palavras de amor que não firam. Só que agora eu quero curar também. Deixar que você se cure dos meus maus, da minhas aventuras pela vida quando nós deveríamos ter largado nossas mãos lado a lado, e não nos largado. Deixa eu ser o antídoto para qualquer outro amor que vá te fazer perder tempo, porque você sabe, eu sei, o seu cachorro sabe, o meu peixei sabe: a gente não se desliga. Não é esse fio telefônico, a conta no fim do mês ou uma tecnologia qualquer, somos nós, simples como uma vida, desgraçados como o amor. Nós, estragando tudo para o arrependimento querer curar. Se eu for o seu curativo, posso até me curar por conta própria, mas eu quero te curar. Quero passar carinho onde a vida deixou hematomas. E curará, acredite. Você ainda está na linha? Ainda quer ouvir que andei achando nossas cartas? Quando foi que paramos de nos escrever? Ah, claro… Quando as palavras deixaram de serem ditas também em voz alta. Ficou muita coisa a ser escrita, feita e falada. Ficou uma vida - a minha - para ser preenchida - com a tua. Até falando eu tenho entrelinhas, não é? Você deve estar me odiando, como no primeiro dia quando eu derrubei o sorvete na sua blusa preferida. Você deve estar me odiando por não conseguir desligar, como no último dia quando nos ouvimos chorar até faltar luz aqui e a ligação cair. Você me tem na mão e eu não sei poetizar isso. Desculpa, amor, se eu me encho de palavras e te esqueço respirando. Você, apenas respirando, já cura os meus tempos ruins. Quer desligar? Eu sei que sim. O meu recado está dado: se você fugir para o Japão, eu vou até lá. Vou até a esquina, até a cidade vizinha, até o Equador, até o Japão! Eu vou indo, porque o meu mapa quem traça é você. A minha vida quem regula são as suas mãos. Você não entende… Agora pode desligar, se quiser. Quando me ouço falar também me pergunto onde está a minha lucidez, não é só você que me detesta. No meu fundo, no meu espaço perdido e ilógico, tão meu, eu desisti de entregar os espaços em branco e passar mais álcool no que a história deixou ardendo. Eu desisti de procurar nas pessoas um olhar apaixonado que somente o espelho pode me mostrar, porque sou eu, é o meu reflexo dizendo que eu moro em ti. Eu não vou ter dinheiro para pagar essa conta, gastei tudo comprando o telefone para te ligar. São tantas desordens em mim, pode balançar a cabeça e me reprovar. Em outra vida eu posso ter feito medicina e a gente nem sabe… Tanto faz, você desligará. É que, olha, eu senti saudades de me declarar…

11 de ago. de 2012

Você me pediu um cigarro

Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir. Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo. Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido. Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto. Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado. Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala. Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso. O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano. Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor. Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido. Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia. Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir. Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás. Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras. Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber. Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas. Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade. O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas. Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa. Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida. O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.
Fabrício Carpinejar em Você me pediu um cigarro

18 de jul. de 2012

Para você, meu amor...

Ajustei meu horário. Tudo esta conforme você fez estar. As horas são mais felizes quando você chega e tristes enquanto te espero. Os segundos mais rápidos são aqueles ao seu lado e os mais lentos são os que faltam a sua voz. Cada minuto é seu, ao seu tempo e caminhar, ao seu jeito e ao nosso par. Cada mudança brusca em que não vejo o relógio passar, tem você me dizendo palavras de um futuro nosso. Cada lágrima que faz o passar do tempo ser uma tortura, tem você longe de mim por culpa nossa ou da vida. Passo o tempo para passar o tempo com você, assim mesmo, com uma confusão gritante de palavras. É o meu relógio, o meu jeito bobo e secreto de controlar a vida. As horas no teu pulso desestabilizando o meu são muito mais bem aproveitadas.

28 de jun. de 2012

O amor?

O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, mas principalmente, o que ele tira de mim: a carência, a ilusão de autossuficiência, a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios. Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, para qualquer coisa, a qualquer hora. Ele apazigua o meu peito com uma lista breve de prós e contras. Mas me dá escolhas. Eu me percebo transformada pelo que o amor tirou de mim por precisar de espaço amplo e bem cuidado para se instalar. O amor tira de mim a armadura, pois não consigo controlar a vulnerabilidade que vem com ele; tira também a intransigência. O amor me ensina a negociar os prazos, a superar etapas, a confiar nos fatos. O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade, de ir embora antes de sentir vontade, de abandonar sem saber por quê. E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia. Porque não posso virar as costas pra uma mania quando ela vem de uma pessoa inteira. Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha quando o meu ser transborda companhia. O amor me tira coisas que eu não gosto, coisas que eu talvez gostasse, mas me dá em dobro o que nunca tive: um namoramento por ele mesmo. O amor me tira aquilo que não serve mais e que me compunha antes. O amor tirou de mim tudo que era falta.

27 de jun. de 2012

Antes que seja tarde

Se não fosse tão covarde acho que o mundo seria um lugar melhor pra viver.
Não que o mundo dependa só de mim para ser melhor, mas se o medo não fosse constante ajudaria as milhares de pessoas que agem pelo mundo como centelhas tentando criar uma labareda que incendiasse de entusiasmo a humanidade. Mas o que vejo refletido no espelho é um homem abatido diante das atrocidades que afetam as pessoas menos favorecidas.
Porque se tivesse coragem não aceitaria as crianças passarem fome, frio e abandono nas calçadas, essas que parecem fantasmas, nos assustam nos semáforos com armas na mão, nos pedem esmolas amontoadas em escolas que não ensinam, e por mais que elas chorem, somos imunes a essas lágrimas.
Você acha que se realmente tivesse coragem aceitaria uma pessoa subjugar a outra apenas pela cor da sua pele? Do seu cabelo? Um poema é quase nada disso tudo.
Sou um covarde diante da violência contra a mulher, da violência do homem contra o homem que só no Brasil são 50000 deles arrancados à bala do nosso pacífico planeta. Que dizer da violência contra os homossexuais que são apedrejados nas calçadas das avenida elegantes?
E se tivesse mais fé na minha humanidade de maneira alguma aceitaria que um Deus fosse melhor que o outro, mas sou tão covarde que nem religião tenho, e minhas mãos que não rezam, já que estão abertas, poderiam ajudar a construir um templo onde caberiam todas elas, mas eu que não tenho fé nem em mim mesmo sou incapaz de produzir esse milagre. De repartir o pão.
E porque os índios estão tão longe da minha aldeia e suas flechas não atingem meus olhos nem meu coração, não me importo que lhe tirem suas terras, sua alma, seus rios, e analfabeto de solidariedade não sei ler sinais de fumaça, eles fazendo guerra eu fumando o cachimbo da paz. Se tivesse um nome indígena seria cachorro medroso.
Se fosse o tal ser humano forte que alardeio por aí, não concordaria em aceitar famílias inteiras sem onde morar, vagando em busca de terra, ou morando em barracos de madeiras indignas pendurada nos morros, ou na beira de córregos. Não nasci na favela, mas ,eu coração é de madeira, fraco.
A lei condena um homem comum que rouba outro homem comum e o enterra na masmorra moderna, mas nada faz contra aquele político corruto que rouba milhares de pessoas apenas com uma caneta, ou duas, e que de quatro em quatro anos a gente aperta-lhes a mão, quando na verdade devíamos cuspir-lhes na cara. E eu como um juiz sem martelo não faço nada além de condená-lo ao meu não voto. É pouco, já que sei onde eles se entocam. A lei é cega, mas acho que lhe fizeram transplante de órgãos numa dessas votações secretas.
Assisto a falência da educação e o massacre contra os professores e sei que muitas vezes o resultado de ensino de qualidade mínima é presídio de segurança máxima, fico em silêncio quando a multidão desinformada pede redução da maioridade penal, porém, mal ela sabe que se não educarmos nossas crianças vão ter que prendê-las com 16 anos, depois 14, depois 12, depois, não teremos mais crianças nas ruas. E elas, as ruas, serão tão seguras que a gente vai sentir falta das crianças. Época em que os brinquedos serão visitados nos museus.
Estão cortando as árvores, cortand as árvore, cortan a árvore, cort árv, co á... madeiraaaaa! E aceito a cara-de-pau dos donos das serras elétricas e sei que o machado está nas minhas mãos. Depois fico abraçando o lago poluído quando na verdade deveria estar mergulhado nele, assim como os peixes mortos.
Pagos os meus impostos e sei que eles não fazem nada com eles, ainda assim faço propaganda da minha consciência tranquila. Desconfio que é essa tal consciência tranquila que está acabando com o mundo.
Calado assisto a falsa democracia deste país ilegal, sem alvará de funcionamento e sem licença pra ser pátria, e me emociono com o hino nacional cantado antes do jogo da seleção canarinho.
Perdoe-me por apenas ser poeta, e ter apenas poemas como arma, ainda que ninguém me diga, sei que isso é muito pouco, quase nada. O sangue que pulsa na veia tinha que estar nos olhos.
O Mundo gosta das pessoas neutras, mas só respeita as que tem atitude. Se não posso mudar o mundo deveria a mudar a mim mesmo.
Acho que é isso que vou fazer agora.
Antes que seja tarde.
 
Sérgio Vaz

2 de jun. de 2012

" Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia. "

11 de mai. de 2012

"Eu engulo a seco tantas notícias, que ficam entaladas em minha garganta, mas prefiro fechar os olhos e lembrar um pouco de coisas que acrescentam. Durante todo tempo tanta maldade me cerca, mas prefiro que das minhas mãos só saiam auxílios. Sei que é impossível, por isso, não tenho a ilusão de apagar tudo que há de errado no mundo, mas tenho sim, a intenção de transmitir tudo o que há de bom em mim. Não é fácil, mas todos os dias tento renunciar meu lado impuro e embora essa atitude não traga um mundo melhor, aqui dentro já faz uma diferença danada."

Espelhos d'agua


6 de mai. de 2012

MULHERES

MULHERES

No mundo existem diversos tipos de mulheres. Existem as que curam com a força do seu amor e as que aliviam dores com a sua compaixão. Foram exemplos Irmã Dulce, na Bahia e Madre Tereza, na Índia.

Existem mulheres que cantam o que a gente sente e as que escrevem o que a gente sente.

Há muitas mulheres glamourosas, como o foi Lady Di e mulheres maravilhosas que deixam lições eternas, como Eunice Weaver e Madame Curie.

Existem mulheres que fazem rir, e mulheres talentosas no Teatro, nas telas dos cinemas, nos palcos do Mundo.

Entre tantos tipos de mulheres existem as que não são conhecidas ou famosas. Mulheres que deixam para trás tudo o que têm, em busca de uma vida nova. Lembramos das nossas nordestinas e sua luta constante contra a adversidade, para que os filhos sobrevivam.

Mulheres que todos os dias se encontram diante de um novo começo, que sofrem diante das injustiças das guerras e das perdas inexplicáveis, como a de um filho amado, pela tola disputa de um pedaço de terra, um território, um comando.

Mães amorosas que, mesmo sem terem pão, dão calor e oferecem os seios secos aos filhos famintos. Mulheres que se submetem a duras regras para viver.

Mulheres que se perguntam todos os dias, ante a violência de que são vítimas, qual será o seu destino, o seu amanhã.

Mulheres que trazem escritos nos sulcos da face, todos os dias de sua vida, em multiplicadas cicatrizes do tempo.

Todas são mulheres especiais. Todas, mulheres tão bonitas quanto qualquer estrela, porque lutam todos os dias para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

Entre essas, as que pegam dois ônibus para ir para o trabalho e mais dois para voltar. E quando chegam em casa, encontram um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome.

Mulheres que vão de madrugada para a fila a fim de garantir a matrícula do filho na escola.

Mulheres empresárias que administram dezenas de funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana.

Mulheres que voltam do supermercado segurando várias sacolas, depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.

Mulheres que levam e buscam os filhos na escola, levam os filhos para a cama, contam histórias, dão beijos e apagam a luz.

Mulheres que lecionam em troca de um pequeno salário, que fazem serviço voluntário, que colhem uvas, que operam pacientes, que lavam a roupa, servem a mesa, cozinham o feijão e trabalham atrás de um balcão.

Mulheres que criam filhos, sozinhas, que dão expediente de oito horas e ainda têm disposição para brincar com os pequenos e verificar se fizeram as lições da escola, antes de colocá-los na cama.

Mulheres que arrumam os armários, colocam flores nos vasos, fecham a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantêm a geladeira cheia.

Mulheres que sabem onde está cada coisa, o que cada filho sente e qual o melhor remédio para dor de cotovelo do adolescente.

Podem se chamar Bruna, Carla, Teresa ou Maria. O nome não importa. O que importa é o adjetivo: mulher.

A tarefa da mulher é sempre a missão do amor, estendendo-se ao infinito. Tal tarefa pode ser executada no ninho doméstico, entre as paredes do lar, na empresa, na universidade, no envolvimento das ciências ou das artes.

Onde quer que se encontre a mulher, ali se deverá encontrar o amor, um raio de luz, uma pétala de flor, um aconchego, um verso, uma canção.

4 de mai. de 2012

Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.

3 de mai. de 2012

O que me importa

O que me importa
Seu carinho agora
Se é muito tarde
Para amar você...

O que me importa
Se você me adora
Se já não há razão
Prá lhe querer...

O que me importa
Ver você sofrer assim
Se quando eu lhe quis
Você nem mesmo soube dar
Amor!...

O que me importa
Ver você chorando
Se tantas vezes
Eu chorei também...

O que me importa
Sua voz chamando
Se prá você jamais
Eu fui alguém...

O que me importa
Essa tristeza em seu olhar
Se o meu olhar tem mais
Tristezas prá chorar
Que o seu!...

O que me importa
Ver você tão triste
Se triste fui
E você nem ligou...

O que me importa
Seu carinho agora
Se para mim
A vida terminou
Terminou! oh! oh! oh!
Terminou! oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!...

2 de mai. de 2012

Camões

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 
Momentos que são meus e que eu não abro mão...
"Um pouco antes de tudo ficar preto, quer saber a última coisa que me passou pela cabeça? Você!"

"Agora temos um ano separados. Mas o que é um ano após duas semanas como essas juntos?"

‎"Querido ..., na maioria das noites, durmo preocupada com você. Me perguntando como você está por aí. Mas não hoje. Hoje está aqui comigo."

"A lua está cheia, o que me fez pensar em você. Pois sei que não importa o que estou fazendo, e onde estou, esta lua será sempre do mesmo tamanho da sua do outro lado do mundo."

"Não faço idéia de onde está no mundo, .... Mas sei que perdi o direito de saber há muito tempo. Não importa quantos anos se passem, sei que uma coisa continuará verdadeira como sempre: nos vemos em breve."

26 de abr. de 2012

Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer “Me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal.” E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem.

21 de abr. de 2012

Que palavra é você? Das mais bonitas às mais doloridas, não encontro a que lhe caiba. Preciso de uma palavra que lhe descreva, de uma palavra que lhe pertença. Preciso de uma palavra insone, de uma palavra que silencie. Preciso de uma palavra que seja fome, mas que também seja afeto. Preciso de uma palavra que morda, mas que também que sopre. Preciso de uma palavra que não se deixe levar por meus pronomes possessivos, mas que ainda assim, seja meu.

19 de abr. de 2012

Você acordou e nem quis saber do relógio, lembro que me procurou na cama mesmo eu já me encontrando em seus braços. Talvez você só quisesse deixar em negrito que éramos certeza. E aí você traz teu sorriso pra minha boca e me diz que planejou isso tudo desde que nasceu. Me basta acreditar, porque é isso que você faz comigo.

O mundo deve estar pelo avesso como nossas roupas. Sei que foi para isso que  aprendi a esperar, comparo nossas peles e percebo que meu corpo combina com o seu sem nem precisar se esforçar.

Você me faz querer sentir tudo, um tudo que começa pelo seu nome. Não preciso planejar nenhuma poesia, te respiro pra me inspirar. Meus versos contornam seu rosto, faço prosa na sua nuca, rimo com seu gosto. Li teu corpo e minhas mãos marcaram cada página.

Cada toque é um parágrafo, e então me aproximo das vírgulas para doer menos. Mesmo nosso titulo sendo plural, mesmo com toda felicidade com cheiro de café e de amor sei que você não pode se atrasar pra voltar.

E quando te vi saindo da cama, buscando as meias como se precisasse de alguma desculpa para continuar ali, percebi que toda essa distância é margem demais para nossa história. Não consigo lidar com essas pausas de nossos abraços, não consigo fechar a porta e desejar que dessa vez tudo seja mais rápido. Os lençóis denunciam a saudade que fica pelo resto das semanas.

Teu perto é muito curto.




                                                                                                   E mesmo assim eu só,
                                                                                                          só você pra me trazer sol.

18 de abr. de 2012

Encontros

Nós somos partes de um mesmo inteiro, pois sempre foi assim que me senti perto de você, completa. Nossas vidas já deram tantas voltas, tantos pulos, tantas curvas e embora tudo isso possa ter nos afastado de alguma maneira você ainda continua em mim. De uma maneira tão concreta, de um jeito tão meu, com um sentimento tão forte.
Me sinto quebrada, no entando ainda estou aqui e de pé por causa de você. Já adoeci com nossas lembranças, chorei até secar todos meus sorrisos, fugi de mim por não conseguir fugir da gente. Cada dia ao seu lado preencheu minha vida, me mostrando a felicidade nos pequenos detalhes que aconteceram entre nós, permanece em mim um sentimento de perda que me faz ter vontade de te encontrar.
Fomos tão certo juntos, tantas alegrias. Para mim o amor da minha vida é ainda você, mesmo que não seja nessa existência que faremos filhos e um jardim de margaridas. A próxima vez que você estiver tentando se consertar lembre que eu posso te ajudar, que desistir de nós nunca foi uma forma de continuar aqui.
Sinto uma falta grande de você, do tamanho do espaço que você deixou na cama, do tamanho do buraco em meu coração. Te encontrar diariamente é um desafio constante pros meus olhos, não finja que você não sabe da verdade, eles gritam por você. E não é justo comigo, pois mesmo não querendo ficar você está aqui. E com isso me torno só metade de um passado que queria que fosse nosso presente.
Meu amor ainda é agora, continuo te esperando para me levar para ser feliz. Quero ainda ser sua. Quem sabe, nos encontramos na praça ou na parada do ônibus da nossa velha rua de promessas no momento em que você já não tenha mais despedidas para usar.

Depois--------- Marisa Monte

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois.

Prazer! Meu nome não é Alice.

Bem, meu nome não é Alice, mas sei exatamente como ela se sentia. Estou urgente demais para o mundo só que ao contrário. As lembranças me perseguem e o tempo me mostra que há ainda muito pela frente, o problema é que eu sempre me atraso para tudo que possa me fazer feliz.

Meus pensamentos não ficam na cama, e toda vez que acordo me sinto pequena demais para tudo que está do lado de fora das minhas cobertas. Tenho tantas cartas de baralho pelo caminho, no entanto não sei como jogar.

Olho para trás e vejo um punhado de sonhos esperando para começar. É como se tudo estivesse de cabeça para baixo, o mundo gira e eu vou pelo sentido contrário. Tento encolher o coração para sentir pouquinho.

Deixo meus braços entreabertos para não me sentir tão sozinha, o hoje pode ser cruel demais. Aprendi a falar em silêncio, e mesmo insegura todo sorriso sincero me faz ficar.

Muito embora eu não entenda como minha vida possa ir sem mim, já percebi que mesmo não pertencendo a nada daqui eu posso fazer minhas próprias escolhas, então trato de acordar as minhas expectativas e vou atrás do que não me esperou.

Às vezes eu sou um pouco Alice, mesmo sendo alérgica a gatos (incluindo os falantes que voam) e não tendo nenhum chapeleiro ruivo que possa me ensinar a dançar, entendi que o país das maravilhas é algo que está dentro, lá onde só quem acredita em si mesmo pode alcançar.

17 de abr. de 2012

Marisa Monte


DEPOIS...

Drummond

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos... netos, pros vizinhos… E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela... E reconhecer nela o seu lugar.

16 de abr. de 2012

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar."

Trim...


"Alô? É da Rádio? Queria oferecer “Daria tudo pra você estar aqui”. Tudo. Tudinho."
Caio Fernando Abreu

13 de abr. de 2012

Eu queria que numa tarde, com muita chuva e um tédio absurdo, você chegasse de surpresa e falasse: senti muito a sua falta.

29 de mar. de 2012

“Desanima saber que eu vou andar por aí e não vou te encontrar, ou que mesmo passando por todas as estações do metrô você não vai estar ali. Sair e voltar dos lugares com a certeza de que eu não vou te ver.
Após um dia cansativo, uma manhã de irritações e uma noite onde tudo que eu queria era poder dividir todas as coisas que me desanimaram e saber que perderiam todo sentido assim que você soltasse aquele sorriso. Era disso que eu precisava. Depois de rir muito, virar antes de dormir e dizer de forma tímida “ainda bem que eu tenho você.” Saber que vou conversar e perder tempo com coisas que não vão ocupar esse espaço. Conhecer pessoas que não são a metade do que você é e saber que vou ter que aguentar todas essas manhãs, tardes e noites que parecem não passar nunca..
Mas me conformar com a ideia de que um dia isso vai acontecer. E de uma maneira tão bonita e de uma forma tão recompensada que minha imaginação não seria capaz de alcançar.”

23 de fev. de 2012

O amor não é uma desculpa. Você não pode justificar o ciúme com o amor. Sinto ciúme de você porque te amo demais. Eu já disse isso, mas hoje vejo diferente. Se eu amo demais, o problema é meu. Dizer que ama e quantificar o amor só serve para quem sente. Se eu tenho o maior amor do mundo, o mais puro e o que mais me faz feliz o problema é exclusivamente meu. Sabe por quê? Não importa o amor que eu sinto, não para o outro. Para o outro importa como eu demonstro, me comporto e vivo esse amor. O que adianta eu dizer que o meu amor é o mais puro de todos se eu não mostro isso? O amor não é uma palavra bonita. O maior problema do mundo, hoje, é esse. As pessoas acham que falar basta. Não, falar não basta. O amor não tem que ser dito, ele precisa ser sentido, senão ele não sobrevive.

12 de fev. de 2012

O mais lindo amor.

No instante que me iludo, é quando você me esquece. Quando volto à tona, você mergulha nos meus olhos. Se eu te roubo rosas vermelhas, você faz "bem-me-quer". Quando hesito, é quando você já está na estrada.

Se me perco no teu beijo, você fica tentando encontrar um caminho. Quando me encho de receio, você me diz estar pronta. Eu te ponho em xeque-mate, você me diz que cansou de jogar. Quando não quero me machucar, você me telefona no meio da noite.

Eu vejo o sol nascer no mar, você se preocupa em não molhar os pés. Quando eu não durmo, é quando você sonha loucuras sobre nós dois. Quando sinto teu gosto na minha boca, você pede economia nos clichês. Se não quero parecer patético, você se diz um poema apaixonado.

Eu quero parar o tempo, você procura seu relógio embaixo da cama. Quando me escondo, é quando você me quer em cima de você. Se apresso meu passo na sua direção, você engata a marcha ré. Quando reuno meus pedaços, você dá o coração para bater.

Eu deito no seu colo, você se preocupa em fechar a janela. Quando me poupo, é o instante que você se dá de graça. Se ando em alta velocidade, você conta os níqueis pro pedágio. Eu perco as chaves, você insinua mudar pro meu apartamento.

Um amor físico, fatídico, real, raro e patente. Um amor que nasceu, mas nunca viveu. Um amor que aconteceu, mas não foi ocupado. Daquelas comédias românticas que ninguém tem tempo de rir, pois já começa pelo final. Os amores mais bonitos são aqueles que nunca foram usados.
 
 
Gabito

18 de jan. de 2012

s2

Precisei aprender que algumas coisas já vão tarde. Elas me prendiam em mim mesma, não me deixavam ir adiante no pensamento e nem nas tentativas. E a vida é ir adiante. Fiz birra, cara de choro, não entendi e achei até injusto em determinados momentos, mas o destino nos traz coisas melhores quando buscamos elas e leva o que não acrescenta. Mais do que isso: o destino leva quem não acrescenta. Eu já me erro por natureza; ninguém precisa se dar ao trabalho de piorar. Mas aprendi agora, com muito esforço, que há coisas que passam da validade e começam a criar bolor, odor e fazer mal. Tem coisa que simplesmente não merece o nosso tempo. Então, que o tempo leve e afaste, e deixe leve o que permanecer."

8 de jan. de 2012

Deixa prá lá!

Vamos no atrasar. Por causa da chuva, por causa da preguiça. Sem culpa. Tem um mundo todo de gente lá fora que pouco importa. O carro bem poderia ter quebrado, ninguém vai saber se a gente não contar. Vamos nos atrasar por querer mais de nós dois.
Fica mais um pouco e me deixa fazer parte da sua história. Quero o seu dia-a-dia na minha rotina e seu colo pra dormir. Quero nossos assuntos em pauta e nossa falta fazendo companhia. Eu quero mais que solidão a dois e inseguranças tristes para preencher cotidiano. Mais que sorrisos inconvicentes e quase amizades convenientes. Eu quero menos. Menos pensamento, menos dúvida. Um equilíbrio e você de brinde.
Vamos nos atrasar, deixar o mundo acontecer do outro lado da porta enquanto a gente discute desenhos animados na cozinha e faz comida para o jantar. Esqueça a música alta, esqueça as pessoas e seus cumprimentos tediosos, é sábado, deixa pra lá. Tudo o que a gente precisa está aqui. Tem eu, tem você, tem uma madrugada inteira de nós dois. E isso é tudo.