“Um dia você vai se lembrar de mim. Os números da
sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para
discar. Talvez, até tente o meu, mas até lá posso não querer mais te
atender ou talvez nem seja mais meu aquele número. Você vai tentar
chamar alguém, mas não vai haver ninguém pra sair correndo e te dar um
abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos até que o mundo
pare de girar. Nessa fração de segundo, quando seus pés perderem o
chão, você vai lembrar do meu carinho e do meu sorriso infantil. Virão
súbitas memórias gostosas dos meus beijos e abraços, da minha
preocupação quando você saía e esquecia de pegar a blusa de frio… E só
terá uma música repetindo no seu rádio: a nossa doce sinfonia. Em um
novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na
respiração, e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho de volta,
mundinho difícil, mas cheio de amor e carinho. Vai ouvir a chuva cair e
vai sentir um imenso vazio por não ter um grande amor pra compartilhar
esse momento. Não terá alguém para brincar de se jogar na grama nos dias
ensolarados, nem para admirar o pôr-do-sol sobre a ponte da pequena
cidade. Talvez, nem consiga mais sentir o frescor do vento. O nome disso
é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre. E quando você
finalmente bater na minha porta, ela estará trancada, ou se aberta,
mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas,
aquelas que eu te disse que ardiam tanto. E você vai lembrar dos
carinhos nas costas pra você dormir, dos paninhos quentes pra aliviar
sua dor de madrugada, da minha inocência que ria de tudo que você
falava, do meu jeito bobo, do meu jeito de tentar te fazer feliz… O nome
do enjoo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome será a
tristeza, a mesma que eu senti por tanto tempo. Um dia você irá se
deitar, e quando olhar para o teto do quarto escuro, vai se lembrar que
as estrelas poderiam estar lá, para iluminar todas as suas noites frias.
Mas tudo o que você verá é a escuridão. Então quando os dias passarem e
eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com
os meus olhos encantados… você encontrará a solidão. E você vai ver que
diante de tudo isso, alguns dos meus defeitos poderiam ter sido
perdoáveis. A partir daí, o que acontecerá chama-se surpresa. E
provavelmente o remédio para todas essas sensações… é o tal do tempo em
que você tanto falava!”
22 de jan. de 2013
18 de jan. de 2013
Poderia ser para vc...
“Eu não ganho nada escrevendo pra você. Se alguém me
pagasse um centavo por cada linha que contém seus traços, acredite, eu
estaria milionária. O problema é que eu não ganho nada e, ainda assim,
cismo em escrever - pra você, por você, com você. Palavras não vão te
trazer de volta, eu sei. Não importa quantos parágrafos eu digite ou
quantas estrofes eu rabisque no papel, nada nunca vai ter o tamanho e a
intensidade do que eu quero te dizer. Nenhuma frase tem tanta ênfase na
dor que eu quero expressar. Veja só, escrever não me deixa menos infeliz
ou com mais vontade de viver. Escrever não te coloca novamente do meu
lado ou ameniza a saudade que teima em arder. Mas, de certa forma, é
escrevendo que eu encontro um pouco de conforto em dias tão vazios longe
de ti. Talvez não seja as pontas dos meus dedos que te redigem, talvez
seja você quem transforma as pontas dos meus dedos. Analise com atenção
as palavras que cospem da minha boca e as que saltam no papel: todas
elas contém um pouco de você, do que éramos, do que tínhamos, do que
fomos, de nós dois. Não importa se é sobre os seus olhos castanho-mel,
sobre o seu cabelo preto bagunçado ou sobre os seus lábios finos. Todos
os meus textos disfarçados em versos, todas as minhas poesias camufladas
em texto e todos os meus poemas com alma de frase são sobre você. Eu
juro que tento, de verdade, escrever sobre qualquer outra coisa ou
agarrar qualquer pensamento avulso que não envolva o teu cheiro, o teu
caminhar e a tua gargalhada, mas é impossível. Se falo sobre o céu,
diretamente também falo sobre como era bom passar as tardes de
quinta-feira deitada na grama admirando os formatos das nuvens com você.
Se rio de uma piada, automaticamente penso em como eu gostaria de
contar ela pra você e ver o seu sorriso de 32 dentes esbranquiçados se
aflorar. Percebe o tamanho da ironia? Eu não quero escrever, pensar ou
falar de você, mas de certa forma você me escreve, me imagina e me
forma. Você me desenha, me adivinha, me tem. Às vezes as palavras fluem
com o sibilo do coração. Eu penso em te telefonar toda noite, dizer como
foi meu dia e perguntar como foi o seu, como se nada tivesse
acontecido, e ao invés disso escrevo. Escrevo porque sei que não
aguentaria algo cara a cara, tipo, olho no olho. Escrevo mesmo sabendo
que as probabilidades de você ler sejam mínimas. Escrevo porque pede o
coração e insiste a alma. Eu te escrevo, te imagino e te formo. Eu te
desenho e te adivinho, só não te tenho. Como já disse, não recebo por te
compor, mas me dá uma força danada e preenche o coração de coisa boa. E
preenche o coração de amor. Amor quietinho, que não exige palco e nem
platéia. Amor simples. Amor que não cabe no verbo amar.”
1 de jan. de 2013
Que dó!
“Eu olho pra gente e dá um dó de saber que não volta
mais. Nunca mais. Porque não. Dá uma agonia porque não vai ser de novo
nunca mais. Porque só foi contigo e sempre vai ser só contigo. Ainda que
não volte, que não seja mais a gente. Eu nunca vou deixar de ser você,
eu nunca vou deixar de ser nós, Tom. Então as mãos vão se soltando, os
laços desfazendo-se e eu olho pra mim e sinto o dobro de dó em saber que
doeu em mim mais do que em qualquer pessoa que tenha achado a gente
bonitinho demais pra acabar, que tenham acreditado, como a gente
acreditou, que eramos feito pra durar. Porque eu sei que doeu em mim
muito mais do que doeu até mesmo em você. E dá uma dorzinha lá no fundo,
quase despercebida.. De eu ter sentido tanto pela gente e pra gente,
sabe? e de pensar que foi 90% em vão, porque depois que acaba só se
existe 10% de aproveitamento pelo que foi, e se foi. E por isso dá dó de
termos sido tão pouco mesmo querendo ser aquilo multiplicado por um
número cheio de reticências que por preguiça sua de calcular acabou
sendo zero, ou ainda, -1. Dá dó de não ter aproveitado nem um tico mais
do que quis. De ter sido tão e somente aquilo, sabe, que por mais feliz
que tenha me feito, no fundo só foi um quase. Sempre o típico triângulo
amoroso: eu, você e o quase. E quase demos passos a diante e seguimos,
então quase alimentamos e construímos expectativas sinceras, e mais do
que isso, ultrapassamo-as. Dá dó de ter sido tão limitada mesmo querendo
ser tão demasiada. E tudo em relação ao que a gente era. Mas agora eu
olho pra frente e não tem mais dó nenhum de ver que pode sim, ainda, ter
alguma chance. Porque tu me disse uma vez e eu nunca vou esquecer, que
era pra mim, sempre e somente pra mim, que tu sempre voltava.”
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