22 de jan. de 2013

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Um dia você vai se lembrar de mim. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar. Talvez, até tente o meu, mas até lá posso não querer mais te atender ou talvez nem seja mais meu aquele número. Você vai tentar chamar alguém, mas não vai haver ninguém pra sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundo, quando seus pés perderem o chão, você vai lembrar do meu carinho e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias gostosas dos meus beijos e abraços, da minha preocupação quando você saía e esquecia de pegar a blusa de frio… E só terá uma música repetindo no seu rádio: a nossa doce sinfonia. Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração, e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho de volta, mundinho difícil, mas cheio de amor e carinho. Vai ouvir a chuva cair e vai sentir um imenso vazio por não ter um grande amor pra compartilhar esse momento. Não terá alguém para brincar de se jogar na grama nos dias ensolarados, nem para admirar o pôr-do-sol sobre a ponte da pequena cidade. Talvez, nem consiga mais sentir o frescor do vento. O nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre. E quando você finalmente bater na minha porta, ela estará trancada, ou se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. E você vai lembrar dos carinhos nas costas pra você dormir, dos paninhos quentes pra aliviar sua dor de madrugada, da minha inocência que ria de tudo que você falava, do meu jeito bobo, do meu jeito de tentar te fazer feliz… O nome do enjoo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome será a tristeza, a mesma que eu senti por tanto tempo. Um dia você irá se deitar, e quando olhar para o teto do quarto escuro, vai se lembrar que as estrelas poderiam estar lá, para iluminar todas as suas noites frias. Mas tudo o que você verá é a escuridão. Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com os meus olhos encantados… você encontrará a solidão. E você vai ver que diante de tudo isso, alguns dos meus defeitos poderiam ter sido perdoáveis. A partir daí, o que acontecerá chama-se surpresa. E provavelmente o remédio para todas essas sensações… é o tal do tempo em que você tanto falava!

18 de jan. de 2013

Poderia ser para vc...

Eu não ganho nada escrevendo pra você. Se alguém me pagasse um centavo por cada linha que contém seus traços, acredite, eu estaria milionária. O problema é que eu não ganho nada e, ainda assim, cismo em escrever - pra você, por você, com você. Palavras não vão te trazer de volta, eu sei. Não importa quantos parágrafos eu digite ou quantas estrofes eu rabisque no papel, nada nunca vai ter o tamanho e a intensidade do que eu quero te dizer. Nenhuma frase tem tanta ênfase na dor que eu quero expressar. Veja só, escrever não me deixa menos infeliz ou com mais vontade de viver. Escrever não te coloca novamente do meu lado ou ameniza a saudade que teima em arder. Mas, de certa forma, é escrevendo que eu encontro um pouco de conforto em dias tão vazios longe de ti. Talvez não seja as pontas dos meus dedos que te redigem, talvez seja você quem transforma as pontas dos meus dedos. Analise com atenção as palavras que cospem da minha boca e as que saltam no papel: todas elas contém um pouco de você, do que éramos, do que tínhamos, do que fomos, de nós dois. Não importa se é sobre os seus olhos castanho-mel, sobre o seu cabelo preto bagunçado ou sobre os seus lábios finos. Todos os meus textos disfarçados em versos, todas as minhas poesias camufladas em texto e todos os meus poemas com alma de frase são sobre você. Eu juro que tento, de verdade, escrever sobre qualquer outra coisa ou agarrar qualquer pensamento avulso que não envolva o teu cheiro, o teu caminhar e a tua gargalhada, mas é impossível. Se falo sobre o céu, diretamente também falo sobre como era bom passar as tardes de quinta-feira deitada na grama admirando os formatos das nuvens com você. Se rio de uma piada, automaticamente penso em como eu gostaria de contar ela pra você e ver o seu sorriso de 32 dentes esbranquiçados se aflorar. Percebe o tamanho da ironia? Eu não quero escrever, pensar ou falar de você, mas de certa forma você me escreve, me imagina e me forma. Você me desenha, me adivinha, me tem. Às vezes as palavras fluem com o sibilo do coração. Eu penso em te telefonar toda noite, dizer como foi meu dia e perguntar como foi o seu, como se nada tivesse acontecido, e ao invés disso escrevo. Escrevo porque sei que não aguentaria algo cara a cara, tipo, olho no olho. Escrevo mesmo sabendo que as probabilidades de você ler sejam mínimas. Escrevo porque pede o coração e insiste a alma. Eu te escrevo, te imagino e te formo. Eu te desenho e te adivinho, só não te tenho. Como já disse, não recebo por te compor, mas me dá uma força danada e preenche o coração de coisa boa. E preenche o coração de amor. Amor quietinho, que não exige palco e nem platéia. Amor simples. Amor que não cabe no verbo amar.

1 de jan. de 2013

Que dó!

Eu olho pra gente e dá um dó de saber que não volta mais. Nunca mais. Porque não. Dá uma agonia porque não vai ser de novo nunca mais. Porque só foi contigo e sempre vai ser só contigo. Ainda que não volte, que não seja mais a gente. Eu nunca vou deixar de ser você, eu nunca vou deixar de ser nós, Tom. Então as mãos vão se soltando, os laços desfazendo-se e eu olho pra mim e sinto o dobro de dó em saber que doeu em mim mais do que em qualquer pessoa que tenha achado a gente bonitinho demais pra acabar, que tenham acreditado, como a gente acreditou, que eramos feito pra durar. Porque eu sei que doeu em mim muito mais do que doeu até mesmo em você. E dá uma dorzinha lá no fundo, quase despercebida.. De eu ter sentido tanto pela gente e pra gente, sabe? e de pensar que foi 90% em vão, porque depois que acaba só se existe 10% de aproveitamento pelo que foi, e se foi. E por isso dá dó de termos sido tão pouco mesmo querendo ser aquilo multiplicado por um número cheio de reticências que por preguiça sua de calcular acabou sendo zero, ou ainda, -1. Dá dó de não ter aproveitado nem um tico mais do que quis. De ter sido tão e somente aquilo, sabe, que por mais feliz que tenha me feito, no fundo só foi um quase. Sempre o típico triângulo amoroso: eu, você e o quase. E quase demos passos a diante e seguimos, então quase alimentamos e construímos expectativas sinceras, e mais do que isso, ultrapassamo-as. Dá dó de ter sido tão limitada mesmo querendo ser tão demasiada. E tudo em relação ao que a gente era. Mas agora eu olho pra frente e não tem mais dó nenhum de ver que pode sim, ainda, ter alguma chance. Porque tu me disse uma vez e eu nunca vou esquecer, que era pra mim, sempre e somente pra mim, que tu sempre voltava.