“Eu olho pra gente e dá um dó de saber que não volta
mais. Nunca mais. Porque não. Dá uma agonia porque não vai ser de novo
nunca mais. Porque só foi contigo e sempre vai ser só contigo. Ainda que
não volte, que não seja mais a gente. Eu nunca vou deixar de ser você,
eu nunca vou deixar de ser nós, Tom. Então as mãos vão se soltando, os
laços desfazendo-se e eu olho pra mim e sinto o dobro de dó em saber que
doeu em mim mais do que em qualquer pessoa que tenha achado a gente
bonitinho demais pra acabar, que tenham acreditado, como a gente
acreditou, que eramos feito pra durar. Porque eu sei que doeu em mim
muito mais do que doeu até mesmo em você. E dá uma dorzinha lá no fundo,
quase despercebida.. De eu ter sentido tanto pela gente e pra gente,
sabe? e de pensar que foi 90% em vão, porque depois que acaba só se
existe 10% de aproveitamento pelo que foi, e se foi. E por isso dá dó de
termos sido tão pouco mesmo querendo ser aquilo multiplicado por um
número cheio de reticências que por preguiça sua de calcular acabou
sendo zero, ou ainda, -1. Dá dó de não ter aproveitado nem um tico mais
do que quis. De ter sido tão e somente aquilo, sabe, que por mais feliz
que tenha me feito, no fundo só foi um quase. Sempre o típico triângulo
amoroso: eu, você e o quase. E quase demos passos a diante e seguimos,
então quase alimentamos e construímos expectativas sinceras, e mais do
que isso, ultrapassamo-as. Dá dó de ter sido tão limitada mesmo querendo
ser tão demasiada. E tudo em relação ao que a gente era. Mas agora eu
olho pra frente e não tem mais dó nenhum de ver que pode sim, ainda, ter
alguma chance. Porque tu me disse uma vez e eu nunca vou esquecer, que
era pra mim, sempre e somente pra mim, que tu sempre voltava.”
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