28 de jun. de 2009

Ação e RE- ação.


Lembra até hoje daquele menino lhe dando tapas virtuais; lembra que chorava lágrimas secas e suava frio. Emudecida. Seguia achando que dela ele só queria os beijos sem saber que ele a desvelava em silêncio, que olhava em seus olhos marrons não somente com desejo, mas também com o pesar do pensamento sufocado e questionativo. Colecionava-lhe os sorrisos oferecidos e os beijos, ah! Os beijos eram somente consequências do encostar coreografado dos corpos envergonhados de tanta vontade.
Mostrou-lhe as escolhas incertas, por força erradas, que havia tomado como grandes. Atrasou as respostas dela e a deixou sem argumentos aceitáveis. Foram virtuais os tapas, e em tempos de encurtamento de distância, foram sentidos todos como se houvessem sido entregues pessoalmente. As lágrimas eram secas e o suor era quente.
E toda vez que ela levar à boca um drinque qualquer, lembrará da voz que leu naquelas linhas mal-pontuadas. Lembrará do menino que ela insisti em não conhecer, mas que dela sabe muito bem. Sabe, principalmente, que ela estava sendo redundante nas ações, fugindo da realidade descaradamente,trapaceando quando alcançada. Redundante, não há porquê fugir, já estava apaixonada.
O histórico inexiste em manuscritos ou páginas digitalizadas, entretanto a marca rubra deixada pelas mãos dele no rosto daquela ainda chamusca, não há líquido que acalme a casca da parte carnosa mais saliente de cada lado de sua face. Não há palavra doce que a faça engolir o amargo gosto das lágrimas secas que chorou naquele dia, e talvez ela nem queira.

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