28 de jun. de 2009

Quem desligou o mundo?

Foi como se nunca tivesse sido beijada. Não ouviu sinos, ouviu a Lapa.
Seus barulhos, misturas, suas pessoas. Mas ouviu diferente;
um som que não se lembra, um som que parecia música. Ouviu aquela
sensação do envolver nos pensamentos vazios tão necessários nesse momento;
foi preenchendo-os, todos eles, com as mais desnecessárias frases,
palavras soltas e sem conexão com o óbvio. A felicidade tinha motivação, e ela sabia.
De repente, a distância de vento gelado do inverno quente carioca
que separava os lábios dos apaixonados diminuiu.
Ela trapaceou, claro, decidiu antecipar um pouco o início da ação, não a culpo.
A ansiedade é sufocante nessas horas. A vontade do sentir nem se fala.
Talvez fosse essa a ação mais esperada da noite,
quando o carinho mais comum se torna tão único e novo, como se
realmente fosse a primeira vez.
O beijo chega, o mundo pára. E quando a gente fica boba assim,
é porque sabe que foi diferente.Com gosto do queijo preferido, mesmo que metaforicamente.Com cheiro de um sonho que nem foi sonhado.
Com sons que serão sempre lembrados, mesmo que não tenham sido escutados.
Beijada, como se nunca tivesse sido.
Um lugar, o mais comum e sem romantismo que já havia ido.
Pode re-ligar o mundo agora.

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