10 de dez. de 2009

TÃO SUTILMENTE EM TANTOS BREVES ANOS



Tão sutilmente em tantos breves ano




foram se trocando sobre os muros




mais que desigualdades, semelhanças,




que aos poucos dois são um, sem que no entanto




deixem de ser plurais:




talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.




Presenças, solidões que vão tecendo a vida,




o filho que se faz, uma árvore plantada,




o tempo gotejando do telhado.




Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe




o pó de um cotidiano desencanto.








Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos


que uma em outra pode se trocar,


sem que alguém de fora o percebesse nunca.



_________

Tão sutilmente



Tão subtilmente em tantos breves anos




Foram se trocando sobre os muros




Mais que desigualdades, semelhanças




que aos poucos dois são um, sem que no entanto




deixem de ser plurais:




talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.




Presenças, solidões que vão tecendo a vida,




O filho que se faz, uma arvore plantada,




O tempo gotejando no telhado.




Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe




O pó de um cotidiano desencanto..










Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos




Que uma em outra pode se trocar,




Sem que alguém de for a o percebesse nunca.

29 de out. de 2009

Sério. Queria que fosse meu este texto.

PENSAR É TRANSGREDIR







Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.


Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.


Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.


Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"


O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.


Sem ter programado, a gente pára pra pensar.


Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.


Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.


Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.


Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.


Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.


Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.


Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.


Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.


Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.


Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.


Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.


Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.


E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.



Lya Luft

25 de out. de 2009





O silêncio consente ou reprova


O silêncio defende ou acusa


O silêncio agrada ou incomoda


O silêncio conforta ou machuca


O silêncio une ou separa


O silêncio alegra ou entristece


O silêncio constrói ou destrói


O silêncio restaura ou aniquila


O silêncio vivifica ou mata


O silêncio enaltece ou desonra


O silêncio exalta ou humilha


O silêncio liberta ou oprime


O silêncio alivia ou sobrecarrega


O silêncio cativa ou espanta


O silêncio motiva ou desencoraja


O silêncio confirma ou nega


O silêncio fala!

13 de out. de 2009



Palavras

Palavras...

"E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe..."

Sutilmente - Skank
É...

Já não escrevo todo dia. Hoje, pensei em escrever um pouco.

Meditei na vida, nas pessoas, nos amigos e naqueles não-amigos.

A gente nunca vai entender bem sobre o que é ser verdadeiro ou não.

Se a gente está certo ou não.

Mas o que a gente pode compreender é que muito do que passamos serve como amadurecimento.

Aqueles que ainda estão muito "verdinhos" na vida - e, alguns momentos (quase todos), eu me incluo nessa categoria - aprendem com os tropeços e as topadas que vão aparecendo pelo caminho.

Ai, lembramos da importância dessas pessoas em nossas vidas - inclusive os não-amigos.

Aqueles que me conhecem, de longa data, sabem que sou uma pessoa boa.

Sempre fiz poucos e especiais amigos pelo caminho.

Mas, a verdade verdadeira, é que acabei descobrindo que não sou bem o que eu pensava ou o que pensavam. Ou talvez, eu tenha mudado um pouco (ou muito).

Lidar com pessoas é uma arte.

Hoje eu não sei se a domino de tantas formas. Mas tento da melhor maneira possível.

E até a existência dos não-amigos faz parte desse aprendizado, porque a gente aprende nossas limitações como pessoa.

Quem sabe não dê pra conviver como gostaríamos, mas dá para cada um ir seguindo a sua vida sem prejudicar o outro, tentando levar as diferenças da melhor forma possível.
Minhas palavras estão guardadas. Enquanto o mundo vai girando, elas vão se combinando com os sorrisos e mistérios. Envoltas com os detalhes da memória, num novelo de sentimentos e sensações.


É possível perceber que nada é igual.

Ninguém permanece, com o passar do tempo, sendo o que era antes.

Se em alguns momentos os instantes retornassem, quem sabe poderíamos escrever os segundos mais perfeitos para colar na memória, na eternidade.


Acredito no destino avalassador, que cruza vidas e caminhos. Em nós que atam e desatam. Em momentos mágicos e inacreditáveis. Possibilidades que nos aplacam e não temos como voltar.
Uma das coisas mais interessantes de se fazer o que se gosta é que você se transforma.

Às vezes, o universo da gente fica limitado. Certas atitudes deveriam ser tomadas mas nem sempre se consegue fazer: por achar que não há possibilidade, por achar que seria muito difícil, por duvidar da sua capacidade.


Até que você descobre, quando esse dia chega, que os minutos são preciosos. E a vida tem mais sentido do que quando tínhamos todo o tempo do mundo à nossa disposição.


Hoje eu acordo para ser o que sempre amei.

Depois sigo o caminho que ainda quero trilhar, dando os pequenos passos para o futuro que a cada dia se torna mais próximo.

Assim, vou vivendo cada dia e aprendendo.

Aprendo com aqueles que têm mais experiência que eu.

Aprendo com quem acredita que não possui nada para me ensinar e acabo ensinando também...
Viver nos Cobra Despedidas...


Sabe quando você escuta uma frase que fica martelando na sua mente?! "Viver nos cobra despedidas..."

E cobra mesmo.
Quando parei pra pensar nisso, imaginei a minha vida. Sim! A minha, a vida daqueles que nem conheço tão bem. Quando nascemos, nos despedimos do imaginário para realmente sermos alguém na vida de outro alguém. A partir de então, todos os momentos, somos cobrados a nos despedir de tudo e de todos.

Ao comemorar uma vitória, estamos nos despedindo do possível fracasso. Nos despedimos do sonho para adentrarmos na realidade de viver o que foi sonhado.

Dar boas-vindas ao Futuro é nos despedir do Presente, e vê-lo se transformar em passado.

Cada palavra que sai do meu pensamento se despede de mim para cair no coração de quem me lê. Cada saudade que sinto é uma despedida que se apresenta ao meu pensamento - lembranças de momentos bons.

Abraçar a Vida, requer sabedoria para entender quando precisamos RECEPCIONAR O NOVO e nos DESPEDIR DO QUE PASSOU.

É A VIDA QUE SEGUE!!! =]
Inesperado...

Meu compromisso sempre foi com o coração. Corpo, alma, sorrisos, lágrimas e letras. Nessa empreitada, muito já dei e pedi. Algumas vezes, me perdi. Correndo, correndo - em telefonemas durante a madrugada, no meio de músicas, uniões inesperadas, entre livros e corações. Sim... já me senti perdida. Às vezes, ainda me sinto - é verdade! - mas os caminhos me levaram para emoções diversas e marcantes. Aquelas palavras que ecoavam por todos os cantos em busca de sinceridade e sentimentos, encontraram um lugar para repousar e ficar... sem falsas promessas, respeitando o meu jeito de ser e deixar livre o que me da prazer. Uma nova etapa para viver...

30 de set. de 2009

Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou
- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia...
Então perguntei ao meu pai:
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu meu pai, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz!
Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotência, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir o meu pai dizendo:
...Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!

(Autor Desconhecido)

28 de jun. de 2009

porque a amizade é um improviso.

Não querendo imitar o dono da canção, mas a sonoridade dela
encanta meu coração.
A sonoridade dela, a minha Luísa*.
Eu tenho medo da reprovação, do olhar que ela perde lá longe,
quando eu digo que errei.
A reprovação não chega, se atrasa, se perde com o olhar.
Ela aconselha, e me acalma. Já disse?
Acalma com a voz, minimiza os problemas cheios de uma vida inteira.
Erra e espera pelo olhar da reprovação...Um olhar
sempre tão atrasado e perdido, mas ele não permanece.
Somente os olhares doces eu carrego comigo.
Ela me ensinou que tenho que ser indiferente, nonchalant.Eu que ainda não aprendi.
É preciso tempo.É preciso musicalizar pro tempo passar.
Ela é uma música que eu vou lembrar pra sempre.Não, não é aquela do poeta.
Eu vou lembrar daquela que eu fiz pra ela agora, no improviso.
Usando palavras que não existem, ou aquelas que eu nunca usei com ela.
O som que nunca foi tirado de violão nenhum, tá aqui dentro do meu coração.
Eu nunca vou cantar,mas ela vai ouvir quando lembrar de mim.

Existe título para as coisas que não existem?

Eu queria saber fazer poesia só pra falar dos olhos dele.
Eu queria ter intimidade suficiente com as palavras mais belas
só pra descrever aquele sorriso.
Aquele dado numa tarde vazia de idéias e cheia de gente.
Que mudou o meu humor.
Eu queria saber expressar claramente tudo o que sinto
quando a mais leve brisa sai da tua boca e toca o meu rosto,
ecoando nos meus ouvidos um simples oi.
Os arrepios de inverno que eu sinto em pleno verão carioca
quando a lembrança do teu abraço me domina o pensamento.
O seu cheiro sem perfume de manhã.E algumas vezes
com um perfume que era tão parte da tua pele, que eu
nem notava diferenças.Me preocupava mesmo era com
sentir o abraço... que me apertava, e me machucava.
Deixando o meu andar abalado, meus sentidos confusos.
(...)
Eu queria saber organizar isso tudo numa poesia bonita.

Ah,Falei!

Como assim?
Odeio quando coisas óbvias são verdades!
Não!Isso não se faz.É muita maldade.
O dia já não tá bom e eu ainda tenho que morrer
duas vezes no mesmo dia?
A pergunta mais adequada nesse momento é: Why?
Eu não morro em salas de aula lendo bilhetinhos
jogados como bombas em cima do meu caderno.
Eu morro vide título do blog e tenho dito.
Odeio encaixar coisas óbvias que são verdades, e agora
fazem todo sentido.
Não!

Continuando com as coisas que eu odeio.

Eu odeio quando colam o dedo na campainha da minha residência.
Ainda mais quando é sem avisar. Às vezes eu tô no banheiro e tenho que sair
pra abrir a porta. Às vezes eu tô comendo.
Odeio quando tocam errado e vão embora sem nem se desculpar.
Odeio o barulho que faz o interfone, odeio ter que levantar pra ouvir que
'é da farmácia', 'é a titia' ou 'mandaram entregar'.
E uma coisa que eu não entendo, por que toca a campainha se já
foi anunciado pelo porteiro sagaz?
É pra me deixar surda ou só pra mostrar que já chegou na porta?
Eu sei o tempo que demora da portaria até o meu andar, uma hora eu vou abrir
pra você(visitante) entrar. Espera.Que saco.
Odeio 'fazer sala' pra visitas alheias, não sei fazer nem para as minhas.
Perguntam dos estudos, da vida...
Ninguém me pergunta sobre aquela série legal que tá passando,
Falam do Juvenal. Eu lá sei de Juvenal! Querem café, biscoitinho, água...
Odeio as visitas alheias que colam o dedo na campainha.
Falam que estão triste porque o Fábio Assunção foi encontrado
com drogas..poxa..E eu com isso?

Datas comemorativas e a memória do brasileiro.

Eu não sou chata, só acho que todo mundo deveria saber who the fuck was Tiradentes.
Aquele cara que foi morto a la Jack*. Nem por inteligência, por repetição mesmo.
E todos os anos é a mesma coisa, a equipe jornalista-investigativa-cultural sai às ruas perguntando, e: "Aiii, agora voce me pegou!"
"Hum, tem a ver com os dentistas, neam?"
Têm também aqueles que arriscam tudo por 15 segundos de fama,
afinal tudo pode acabar no BBB:
"Ah, num foi o mártir (hum, tô ouvindo) da independência do
Brasil (hum, tô vomitando)?!"
NAONDE que ele lutou pela independência do Brasil?!
No máximo ele abalou as Minas Gerais, e só morreu porque
não tinha contatos ducaralho ( leia-se: dinheiro!)
Tudo bem que eu nem me lembrei que era feriado, e também acho que
nem deveria ser, mas daí a não saber quem ele foi...UMAPOOTASACANAGI
Se perguntado sobre Carla Perez** o povo fosse, a história seria outra.
Hoje eu me poupei da pergunta "Quem descobriu o Brasil?". Sem saco.
Ai, tem é que curtir o feriado independente de qualquer coisa.Que se dane.

*lendário estripador de prostitutas e dentistas sem registros.
** lendária dançarina do grupo de axé-music É o tchan (selva, Japão, Egito...)
que provavelmente teria sido estripada pelo * (se contemporânea de *, ** fosse).

Só isso.

Por mais que a minha bondade seja tanta, não vai dar.
Eu não vou conseguir uma postura forte suficiente.
Eu quebro fácil.
Prefiro ficar na estante ou dentro de uma bolha.
Uma barreira igual aquelas dos filmes legais...
Não quero jornais, revistas.
Nenhuma notícia do mundo que passa diante dos meus olhos,
nem daquele que some com um click de botão.
Eu não quero sons, quero ruídos. Não quero entender, quero
somente chorar. Só por hoje.

Te gosto!

(...)
Eu realmente gostaria de me deixar invadir novamente pela sua arte, e dessa vez acreditar que essa invasão pode ser interessante.
Ainda sonho que um dia, eu vou acordar e descobrir que tudo não passou de uma noite ruim, ruim de fato; que você não destruiu os meus carinhos mais sinceros, que guardou todos os meus sorrisos,inclusive os amarelados (mesmo que esses tenham sido poucos).
Queria sair da platéia e mais uma vez fazer parte do seu espetáculo (...).
Penso que sou capaz, na correria dos corredores em que te encontro até funciona, mas na calmaria do gramado da Lapa não sei se realizo um momento que um dia já foi nosso.
Me deixa desconcentrada saber que você sente a minha falta.
Talvez a falta que você me faz nunca será dita.
Nesse momento eu sinto pena, tristeza mesmo, porque não deu certo.
Fugiu do meu controle. Quando é forçado, tudo é fadado ao fracasso.
(...)
Eu duvidei muito. Eu ainda duvido, mas se você diz, então eu acredito.
Como eu não posso usar uma borracha sempre que quiser apagar alguma coisa da minha vida, não se preocupe, eu não vou apagar você.
Acho que não apagaria nem se a borracha estivesse na minha mão e você na minha frente.

Adeus, lingüiça, Lingüística e outros tremas!

Pra quem dormiu e perdeu a morte do trema, a reforma aconteceu.

1 minuto de silêncio.

Quem desligou o mundo?

Foi como se nunca tivesse sido beijada. Não ouviu sinos, ouviu a Lapa.
Seus barulhos, misturas, suas pessoas. Mas ouviu diferente;
um som que não se lembra, um som que parecia música. Ouviu aquela
sensação do envolver nos pensamentos vazios tão necessários nesse momento;
foi preenchendo-os, todos eles, com as mais desnecessárias frases,
palavras soltas e sem conexão com o óbvio. A felicidade tinha motivação, e ela sabia.
De repente, a distância de vento gelado do inverno quente carioca
que separava os lábios dos apaixonados diminuiu.
Ela trapaceou, claro, decidiu antecipar um pouco o início da ação, não a culpo.
A ansiedade é sufocante nessas horas. A vontade do sentir nem se fala.
Talvez fosse essa a ação mais esperada da noite,
quando o carinho mais comum se torna tão único e novo, como se
realmente fosse a primeira vez.
O beijo chega, o mundo pára. E quando a gente fica boba assim,
é porque sabe que foi diferente.Com gosto do queijo preferido, mesmo que metaforicamente.Com cheiro de um sonho que nem foi sonhado.
Com sons que serão sempre lembrados, mesmo que não tenham sido escutados.
Beijada, como se nunca tivesse sido.
Um lugar, o mais comum e sem romantismo que já havia ido.
Pode re-ligar o mundo agora.

1ª tentativa de dizê-lo (rascunhos expostos).

Não foi por falta de inspiração, ou falta de palavras belas.
Por falta de carinho, admiração, elogios gratuitos.
Não por não caber,
Por não sentir.Foi por sentir demasiadamente*.
Não, talvez tenha sido por medo da cobiça dos alheios.
Porque sei que não conseguiria falar sem me envolver.
Não conseguiria sem misturar, pois trata-se de um eu de mim.
Pois trata-se de um daqueles plurais divinais por acaso mundanos,
Por acaso não, por vontade própria e ainda que duvidosos de si
Necessariamente maravilhosos.




(*Odeio essa palavra e suas derivações, mas sei que ele vai gostar dela ter sido colocada ali)

Da série: Tem, mas não há.

Como é que uma pessoa pode ser tão repugnantemente necessária
na sua vida, se nem vida ela tem? Alguém um dia me disse que a vida
é isso mesmo, ou talvez eu tenha lido, um transitar pelo belo e
repugnante no mesmo segundo; com uma perna em cada um, e a
cabeça pendendo para um dos dois lados. Os argumentos nessa hora
eu esqueço e troco tudo por palavras grosseiras que valem mais
do que qualquer textinho pronto. À merda.

Ação e RE- ação.


Lembra até hoje daquele menino lhe dando tapas virtuais; lembra que chorava lágrimas secas e suava frio. Emudecida. Seguia achando que dela ele só queria os beijos sem saber que ele a desvelava em silêncio, que olhava em seus olhos marrons não somente com desejo, mas também com o pesar do pensamento sufocado e questionativo. Colecionava-lhe os sorrisos oferecidos e os beijos, ah! Os beijos eram somente consequências do encostar coreografado dos corpos envergonhados de tanta vontade.
Mostrou-lhe as escolhas incertas, por força erradas, que havia tomado como grandes. Atrasou as respostas dela e a deixou sem argumentos aceitáveis. Foram virtuais os tapas, e em tempos de encurtamento de distância, foram sentidos todos como se houvessem sido entregues pessoalmente. As lágrimas eram secas e o suor era quente.
E toda vez que ela levar à boca um drinque qualquer, lembrará da voz que leu naquelas linhas mal-pontuadas. Lembrará do menino que ela insisti em não conhecer, mas que dela sabe muito bem. Sabe, principalmente, que ela estava sendo redundante nas ações, fugindo da realidade descaradamente,trapaceando quando alcançada. Redundante, não há porquê fugir, já estava apaixonada.
O histórico inexiste em manuscritos ou páginas digitalizadas, entretanto a marca rubra deixada pelas mãos dele no rosto daquela ainda chamusca, não há líquido que acalme a casca da parte carnosa mais saliente de cada lado de sua face. Não há palavra doce que a faça engolir o amargo gosto das lágrimas secas que chorou naquele dia, e talvez ela nem queira.

Aquela palavra que não gosto de pronunciar.

É só muito medo de chegar chegando, sabe?
É aquela sensação de que 'O segredo' não funciona comigo e eu vou me ferrar. Ah, se vou!
Penso em dizer, peso as consequências e penso suportá-las: fui. Nunca dá certo.
Impulso, empurrão...nunca deu certo. Essas, essas. Ah, nunca deu certo.
"É medo", alguém sempre diz. Quando eu o vejo o coração chega sair de mim só para
perguntar se eu tô legal...maaaas eu:
- Nem tô, hein.
É difícil. Só rola no pensamento aquela cena bonitinha de grito: "EU TE AMO, #@$#$$#%¨$
One...you're like...Nunca dá certo.
Nessas horas eu gosto dos amigos tipo "esquece isso,

Por que é tão importante saber quem eu sou?

Eu sou a mais fútil, a mais exagerada, dramática e chata de todas. A mais ignorante, a mais grosseira e estúpida. Eu não tenho mais paciência pra nada, sou intolerante a quase tudo e também sou alérgica ao mundo em sua totalidade. Às vezes tenho surtos de piranha, em outros momentos sou a mais
calma de todas as mulheres que eu já tive o prazer e também o repúdio de conhecer. Sim, porque a maioria não vale uma nota suja da moeda chinesa.
Não curto ser passiva em relação alguma, não curto nada pela metade, não gosto de completar ninguém e nem procuro ninguém que me complete. Não acredito em 'par perfeito', odeio o spam desse
site. O que eu sou é egoísta, sou mesmo com todas as minhas forças. O que é meu é meu e tá acabado. Se eu cuido de algo, ou alguém, não gosto quando filhos da puta estragam. Sofro com as escolhas que faço, escolho quase sempre errado e me fodo com todas elas. Acredito no risco, ainda acredito nessa merda de 'me arriscar' na vida. Me fodo por isso, óbvio.
Acredito em signos e compatibilidade astral, por essa razão eu não me meto com geminianos e nem com escorpianos. Tá, às vezes é inevitável, mas eu evito. Me dou ao luxo de comprar coisas pra mim, sim. Sou egoísta, mas ajudo todos e sou prestativa; é possível, e eu tenho certeza de que faço meu melhor.
Eu desisto fácil de tudo também, todo dia. Não tenho muita vontade pra continuar com algo que não me emociona. Quando fico triste a primeira coisa que faço é chorar, antes mesmo de pensar que existe solução.
E eu penso, eu penso muito, penso em tudo. Sou confusa e desconfio até do pão que eu como. Nada pessoal, eu sou bipolar e extremamente medrosa. Não demonstro pra não parecer fraca, porque isso eu nem sou, mas como as pessoas confundem tudo é melhor falar uma coisa de cada vez, então: Tenho medo, não sou fraca.
Não gosto de falar de mim, não sei lidar com elogios rotineiros e nem com os espontâneos. Tenho problemas sempre que escrevo a palavra 'espontâneo', sempre esqueço como é que se escreve. Também esqueço a grafia de outras, mas isso não vem ao caso. Não sou burra, observo tudo e entendo tudo, entretanto a idéia de parecer idiota me agrada mais.
Odeio quem vive de citações, quem ama autores e lhes dedica tudo. Odeio quem ama cantores, bandas e outras coisas. Não gosto de exaltar ninguém, acho Machado de Assim um saco, muito embora tenha lido os seus maiores e menores clássicos e contos, respectivamente. Não sei, não consigo gostar dele. Acho que a maioria das pessoas só se encaixam nesse e em outros consensos por ser mais fácil assim.
Não sou herege. Falo o que quero, não tenho medo de ouvir o que não quero. Ainda sou adolescente, durmo e esqueço tudo. Não aceito de maneira nenhuma que o amor move o mundo, não gosto da idéia de ser movida por ele, de que preciso disso pra viver. Eu amo, sim, mas não aceito que isso seja tudo. Aliás, já disse isso antes, o que eu não gosto é da idéia de desmoronar em cada esquina por causa dele, o amor.
Eu não acredito em amores pautados no tempo e nem me utilizo dele pra medir meus amores. Não me pauto amorosamente no tempo e acho um saco essa gente que diz que o amor, ou melhor, o eu te amo 'banalizou'. Se a pessoa quer dizer que ama, deixa; cada um sabe de si. É só uma frase, acredita quem quer. O sentimento é
único em cada um, ninguém sente igual, então deixa. Cada um que cuide do amor que tem. Se não gostou de ouvir que é amado, manda enfiar no cu e pronto.
Amo praticidade e detesto gente que demora pra dizer 'não', ou 'sim' ou qualquer coisa que seja. Não gosto de sentir que vai ser sempre assim, não gosto de não esperar
mais do que meias palavras de alguém que tem mais a dizer. Não gosto de esperar, e essa é basicamente a roda da minha vida.
Eu gosto de viver, só que ultimamente tem me cansado fazer isso que é o que eu mais gosto na vida: viver. Eu tenho péssimo humor, negro, ácido, estúpido, e mau humor; não gosto de desrespeito. Ás vezes eu falto com o respeito, e sempre julgo antes de conhecer, e quase sempre acerto, hein.Odeio repetir, apesar de esquecer muito do que falo. Prometo e gosto de cumprir. Nem sempre rola. Eu sinceramente vivo melhor sozinha. Prefiro o verão, o calor; frio me aborrece e chuva com trabalho não é interessante nem de longe. Gosto de chuva com cama e cobertor, porque eu gosto é de curtir o calor. Vivo melhor sozinha com amigos e família. Tô pouco me lixando com a opinião dos outros sobre mim, desde que não sejam tolas, até porque só me interessam aqueles que têm uma pra 'chamar de sua'. Não gosto de falar de mim, sempre prefiro 'falar de você'. Falo demais, tinha parado com isso. E a pergunta do título foi pra mim mesma.

Ok, tô pronta.

Arrumei o cabelo e fui.
Sai de casa olhando para os lados, sorrindo mesmo. Achei esquisito,
mas não me questionei como sempre faço. Continuei.
Nada me incomodava: velhinhos demorosos, cachorrinhos atrapalhados,
estacionamento de senhoras em filas dispostas na calçada...Nada.
Eu estava pronta.
Queria sair, gastei horas na avenida só pra sair do lugar, mas fui.
Encontrei meu sim no momento em que as luzes da rua vazia
começaram a surgir.
Eu fui sem pensar, e fui pensando em me apaixonar:
me apaixonar novamente por mim.

A certain romance.

É só que eu não gosto de abreviar, sabe?
Nunca gostei de diminuir a totalidade das coisas, palavras,
sentimentos. ah, é ruim, é sim. Imagina só se alguém abrevia
você?

Nome substantivo...

Sente-se abusiva. Louca. Roubando a liberdade do próprio eu. Difícil. Segura os olhos e luta para não fazer algo arrependível, mas nesse ponto tudo é. “- Egoísta.” Sempre que essa palavra ecoa em mim, sinto que sou a mais indigna das mulheres. Insegura. Sente-se solitária.
Sempre que essa palavra ecoa em mim, ela está sozinha e sozinha fica. Não quero admitir que perdi, não quero nunca admitir que não fui suficiente. Sente-se louca. Falando pra ninguém, afogando a doída respiração no pesado travesseiro.
Falando pra ninguém. Traindo a beleza do laço bonito que insisti estabelecer.
Traindo a minha beleza, a beleza do meu ser. É doentio. Viral. Inerente. Não escorre sob a forma de lágrimas. Fica ali, fica em mim, matando.

A tal pera do topo,

Aquela da história; a que só o bravo e valente alcança. É, aquela mesma: meio vermelha, meio amarela e meio verde de não-madura. Que fica esperando o verde sumir para então cair podre no chão. Ela mesma!
Porque disse o sábio que as localizadas no topo oposto não-quase-servem, mas acabam quase-servindo, suprindo os mais famintos e afobados.
Porém, quem disse que a pera do topo, oposta ao oposto, é mais deliciosa, bonita ou mais agradável ao gosto do que aquela maldita que inventou de crescer suas formas ali, mais próximo do chão?
O gênio consensualizado lá entendia de maturação? De fotossíntese? Que dois corpos não ocupam ou não podem ocupar o mesmo lugar no espaço?
O espaço arbóreo ficaria tão mal-desenhado se todas as peras resolvessem florir seus cheiros apenas perto do céu.
Ah, na verdade essa historinha de peras rarefeitas de ares mais macios e mais gostosos e tudo balelê para parecer atrativo,e incitar o atrever. Até porque as perinhas mais expostas as luzes fortes do dia da manhã tendem a criar ruguinhas precoces; além disso, são tão mais beijadas por qualquer vento vivo. Expostas ao qualquer. Caem deformadas e tortas ao chão de tão altas que são.
De fato são todas iguais, a diferença talvez se perceba provando. E cá entre nós,
só se querendo muito, inventando mesmo, distinguimos o comum da transgênia; no mais
transformamos qualquer fruta em um tipo de banana.

Absurda essa ideia sem acento.

Na minha opinião, sabe, humilde e superficial, eu acho que o João deveria se soltar mais. Ah! Sabe uma festa? Tipo, se soltar numa festa. Se acabar numa dança, cair num samba ou simplesmente cair no chão; cair de maduro e de bobo. Rolar rocambole com a mãe, jogar ping-pong com o pai dele! Sabe!? o João tinha que viver logo, não deixar pra depois esse viver não. Vai que ele se tornar um Luiz! Juro, assim, eu não gostaria que o João deixasse de ser João e de repente virasse um Luiz. Do nada. De uma hora pra outra. Talvez se o João se tornasse um João Pedro... Antonio... É.

Por que eu escrevo?

Eu escrevo porque sinto uma necessidade muito grande de inventar, criar verdades novas ou falar das já existentes com outra roupagem. Escrevo para desabafar no papel todas essa confluência de informações do dia-a-dia. É muito mágico o que você pode fazer com as letras, com a mistura de idéias, a mistura de vida, as palavras da noite e as pausas de pensamento ali criando algo maior. Pra mim, a escrita é algo muito maior. Eu escrevo muito melhor do que falo. E adoro confabular desacontecimentos. Eu escrevo porque gosto de mexer com as emoções do meu EU e, sobretudo, com as emoções dos EUs alheios.
Não almejo diariamente a perfeição escritual dos grandes autores e blá blá blá, só gosto de ver na folha, no blog, no bilhete, em qualquer lugar, as palavras organizadas e gerando milhares de pensamentos sobre elas; ainda que sejam poucas as palavras, ainda que única. A verdade é que a minha vida é um escrever, um escrever que vai comigo e que às vezes nem vai para o papel.